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sábado, 1 de dezembro de 2007

Curiosidades da língua portuguesa



Bancarrota


A palavra vem directamente do italiano bancarrotta e significa "banca rotta". Em português, "banco quebrado, partido, destruído". Assim, bancarrota é a justaposição de "banca + rota" (quebrada, em italiano).
A sua história remonta à Idade Média.
Nas feiras, havia comerciantes que colocavam um "banco", isto é, uma estrutura formada por uma tábua colocada sobre quatro pés de madeira e que, então, servia de mesa como de assento com o objectivo de comercializar moedas ou metais preciosos.
A determinada altura, começaram a chegar à feira comerciantes que queriam vender e trocar moedas e outros valores em ouro e prata. Quem fazia as pesagens destas moedas, avaliando ainda a autenticidade dos metais preciosos era o homem que estava por trás da tal "banca", por isso, chamado "o banqueiro".
Depois de pesadas e avaliadas as mercadorias, o referido banqueiro comprava o que lhe interessava e para as trocar exponha-as sobre as estruturas de madeira, as bancas.
A partir de algum tempo, os italianos passaram a denominar "banca" a esse negócio de comercializar moedas, ouro e prata, palavra que existia , mas com o sentido de assento.
A determinada altura, o negócio evoluiu, ganhando um novo valor: a confiança.
Assim, o homem, sentado no banco de madeira, o banqueiro, começou a fazer adiantamentos aos vendedores mais frequentes e aceitava também depósitos daqueles que receavam transportar a mercadoria valiosa.
Como garantia, levavam um simples papel a dizer o seu nome e a quantidade de valores depositados naquele lugar. Este papel poderia ser utilizado como pagamento num outro local, em vez da quantidade de ouro que tinha guardado na "banca".
No entanto, quando algum desses banqueiros não conseguia assumir os compromissos, por ter emprestado a outro negociante, para obter uma comissão, os prejudicados, revoltados, partiam-lhe a "banca".
Por vezes, quando não podiam pagar as dívidas, era o próprio banqueiro ou os seus colegas de profissão que destruíam a sua "banca" (banco em português) aos pedaços, ficando a "banca partida, rota", simbolizando a falência e a saída da acção do negócio.
Esta é a origem da expressão bancarrota.

sábado, 24 de novembro de 2007

Curiosidades da língua portuguesa

Alarme

Logo de início, não conseguimos perceber a verdadeira origem da palavra “alarme”. É interessante o que se esconde nesta palavra que hoje é indicativa de situação perigosa, de sobressalto perante acontecimento que pode ser prejudicial ou fatal para os seres humanos ou para a Natureza.
Os vocábulos que na palavra se ocultam são italianos.
Trata-se de arme que, na língua transalpina, é o plural de «arma», a que se antepõe alle, «às», simplesmente. Assim, all`arme é, na nossa língua, «às armas» e foi um grito soltado pelas tropas italianas nos séculos XVI e XVII, aquando das guerras com os espanhóis.
A palavra “Alarme passou para a nossa língua, quase directamente, sem ter havido, todavia, a adaptação do plural.
Se houvesse essa adaptação em português o plural seria «alarmas», mantida no Castelhano.

sábado, 17 de novembro de 2007

Curiosidades da língua portuguesa

ABECEDÁRIO

Embora sem certezas, calcula-se que, há pelo menos 4000 anos, deve ter surgido o abecedário que os fenícios, com base em sinais de outros povos, sistematizaram e que, mais tarde, foi acolhido e sucessivamente modificado pelas diversas populações.
É fácil compreender a palavra : a-be-ce-de a que os latinos acrescentaram o sufixo ariu(m) que designa "conjunto, lista de". Esta terminação surge noutras palavras como em noticiário, calendário etc.)
A palavra abecedário surge também como sinónimo de alfabeto. Em termos linguísticos e de funções esta relação é correcta, contudo, não tem nada a ver com a nossa escrita.
Na verdade, alfabeto é a lista das letras gregas, formada pelas duas primeiras letras, o alfa e o beta.

Por isso, alfabeto aproxima-se mais dos abecedários árabes (árabe: alifato e hebreu: alefato).
O curioso é que foi da palavra alfabeto que se formou o vocábulo que nomeia aquele que não sabe ler nem escrever, o analfabeto.