Não pretendo, agora, manifestar a minha opinião sobre se é legítimo ou não publicarem as tabelas e os rankings das escolas, a partir dos resultados dos exames nacionais, embora considero importante as escolas analisarem os seus resultados, discutir determinados pormenores, explicarem entre si certas disparidades e tirarem as conclusões devidas.A minha reflexão incide no facto de as escolas privadas liderarem sempre este tipo de rankings.
O ranking tem colocado as escolas privadas nos primeiros lugares, transmitindo a ideia de que ali a qualidade do ensino é superior à do sector público.
Ora, numa primeira análise, ninguém pode contestar que os resultados dos alunos do privado são bons, mas torna-se imprescindível lembrar ou informar que, nestes colégios privados, não entram todo o tipo de alunos, independentemente do seu nível social ou ambiente familiar. Nestes colégios, só entram alunos bem comportados, só fazem parte alunos sem indícios de maus comportamentos e dão prioridade aos alunos interessados, motivados e aqueles que pretendem estudar de uma forma séria.
Nestes colégios, os pais e encarregados de educação estão presentes na vida escolar e sempre que são chamados vêm mesmo saber da situação do filho.
Mesmo que algum aluno esteja num destes colégios com algum nível menos satisfatório, não haverá problemas e continua o seu percurso, todavia, se o que estiver em causa for o comportamento ou a desestabilização das aulas com qualquer fenómeno de indisciplina, esse aluno não volta a se matricular no mesmo colégio, porque não será aceite.
No ensino privado, não há alunos indisciplinados, pois se os houver, na primeira opotunidade, são convidados, sem hipótese de recusarem, a mudarem de escola.

Quantos alunos chegam ao ensino público porque foram expulsos ou impedidos de renovar as matriculas em estabelecimentos do ensino particular? Conheço vários casos.
Contudo, as escolas públicas, além de receberem todo o tipo de alunos, não podem recusar estes alunos expulsos do ensino privado, e mesmo que os pais não demonstrem qualquer interesse pelo rendimento ou comportamento do educando e mesmo que esteja desmotivado continuará dentro da turma e, no ano seguinte, renovará a matricula.
No ensino público, os professores lidam com situações difíceis, desde os problemas sociais gravíssimos, onde existem alunos que passam fome, até à indisciplina, com agressões verbais e, em alguns casos, física.
Os resultados dos exames dos alunos do ensino público passam também por estes testes sociais.
No ensino privado, a selecção é mais aprimorada, viciando, logo à partida, os critérios estipulados para definir os rankings das escolas.

