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domingo, 7 de outubro de 2007

O futebol e a injustiça dos adeptos

Apesar de não ser maritimista, como apreciador do futebol, hoje, fui ver o jogo do Marítimo com o Vitória de Setúbal. Assisti a um bom desafio de futebol, muito equilibrado, como seria de esperar, pois o Setúbal possui uma excelente equipa.
O que me faz escrever acerca do jogo não tem nada a ver, directamente, com o que se passou dentro do campo, mas comentar o comportamento dos adeptos maritimistas.
Nos jogos anteriores, que também assisti, quando o Marítimo jogava bem e ganhava com relativa facilidade, ouvia os adeptos a aplaudirem os seus jogadores de forma eufórica. O Makukula era cantado à maneira de um herói, o Kanu era acarinhado de uma forma comovente, o Marcos, a cada defesa, recebia uma montanha de aplausos. A cada jogada, passe ou remate do capitão Bruno ouvia gritos de euforia, aplausos por tudo e por nada.
Sentia um forte entusiasmo entre estes adeptos. A alegria era visível, e diziam que o Marítimo jogava como nos velhos tempos, e a continuar desta forma seria invencível.
Quando tudo corre bem é assim, mas à primeira dificuldade, o comportamento dos adeptos é completamente diferente.
Esse problema surgiu hoje contra o Setúbal. O Marítimo não dominava o jogo, os jogadores passavam por grandes dificuldades, o Setúbal teve enormes oportunidades para marcar e, se não fosse a espantosa exibição do Marcos, o Setúbal tinha mesmo vencido.
E os adeptos? Logo na primeira parte já se ouvia ofensas aos jogadores do seu próprio clube. Os heróis de ontem hoje foram tratados como forasteiros, como inimigos, como gente de ninguém. Eu que não sou maritimista, senti um ambiente de injustiça revoltante.
Ao Makukula chamavam "girafa" e "barrote preto" e que "não jogava nada". Uns diziam que era um jogo de "solteiros e casados", outros que "estavam com sono e que não vinham mais aos Barreiros". Outros chamavam "torrão queimado" ao Kanu. Alguns diziam "mexe-te encardido" outros que "os jogadores do marítimo estavam de ressaca", que "não faziam uma jogada que prestasse".
O guarda-redes Marcos, que fizera uma enorme exibição, quando pontapeava a bola, recebia apupos e impropérios que não reproduzo por respeito e porque precisaria de uma bolinha vermelha no canto do ecrã.
É bem possível que estes comportamentos de adeptos sejam normais em todos os estádios de futebol, no entanto, é injusto tratar desta forma uma equipa que até está a jogar bem.
No futebol, as equipas só são reconhecidas quando ganham jogos, não há nada a fazer. É o nosso futebol.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

A intolerável realidade do nosso futebol


As contas do nosso futebol.
Apresento as contas de um clube madeirense que se encontra a disputar o Campeonato Nacional de Futebol, na II Divisão, Série B, o Clube Desportivo da Ribeira Brava. Não expresso, para já, qualquer comentário. Analisem estas contas recolhidas do seu relatório de contas de 2006.
Subsídios recebidos pelo Clube:
Dos cofres da Câmara Municipal: 240.736,25 €
Por via do IDRAM recebem mais: 381.395,22 €
Do governo regional mais: 28.512,23 €

Receitas
O Clube arrecadou, no ano inteiro, em venda de bilhetes, 908 €, menos do que no ano anterior que foi de 1.415,00 €. Os sócios pagaram 3.749,56 € de quotas, também inferior ao ano transacto que foi de 5.617,50 €.

Despesa total
Durante o ano de 2006, o relatório do clube apresenta uma despesa total de 650.310,71 €.

Dívidas à banca
O clube pagou, durante o ano de 2006, a quantia de 23.327,62 € apenas para pagar juros da dívida. Tendo entregue também à banca 227.426,72 € com o objectivo de amortizar a dívida que ainda se situa nos 252.520,18 €. É curiosa a forma como alguns dos custos são indicados no relatório, vejamos: apresenta custos com pessoal de 350.172,54 €. Mais à frente, indica a verba de 98.402,66 € de ordenados de jogadores. E depois volta a apresentar uma outra verba de 170.850,00 €, referente ao pagamento de honorários.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

As declarações do treinador do Nacional


O meu Nacional perdeu em Guimarães, não merecia, houve diversos erros da arbitragem, alguns demasiado graves, suficientes para influenciar o resultado. Mas erros de arbitragem já aconteceram imensos a tantas outras equipas.

Mas ao ouvir as declarações, no final do jogo, do treinador do Nacional, o mundo do Futebol ficou aturdido. O seu comentário ao jogo foi grande e profundo. Disse que vivia há 15 anos na Madeira e a cada dia que passava gostava mais de Alberto João Jardim.
O sr. Jokanovic esquece-se de que o Nacional ainda não ganhou esta temporada e em vez de, em desespero, procurar ajuda para não ser despedido, socorrendo-se do AJJ, é melhor se justificar ao seu presidente do clube e apresentar as razãos pelas quais o seu clube não ganha. Naturalmente que o dr. AJJ não quer que saia do Nacional, pois o sr. presidente do Governo é do Marítimo.
Espero que continue a viver na Madeira por muitos e muitos anos, como afirmou, mas, por favor, a treinar o Nacional não. Vai me desculpar, mas para o Nacional voar aos patamares que desejamos vai ter de encontrar um outro treinador. Veja-se o exemplo do Marítimo. Um bom treinador é fundamental.