Apesar de não ser maritimista, como apreciador do futebol, hoje, fui ver o jogo do Marítimo com o Vitória de Setúbal. Assisti a um bom desafio de futebol, muito equilibrado, como seria de esperar, pois o Setúbal possui uma excelente equipa.O que me faz escrever acerca do jogo não tem nada a ver, directamente, com o que se passou dentro do campo, mas comentar o comportamento dos adeptos maritimistas.
Nos jogos anteriores, que também assisti, quando o Marítimo jogava bem e ganhava com relativa facilidade, ouvia os adeptos a aplaudirem os seus jogadores de forma eufórica. O Makukula era cantado à maneira de um herói, o Kanu era acarinhado de uma forma comovente, o Marcos, a cada defesa, recebia uma montanha de aplausos. A cada jogada, passe ou remate do capitão Bruno ouvia gritos de euforia, aplausos por tudo e por nada.
Sentia um forte entusiasmo entre estes adeptos. A alegria era visível, e diziam que o Marítimo jogava como nos velhos tempos, e a continuar desta forma seria invencível.
Quando tudo corre bem é assim, mas à primeira dificuldade, o comportamento dos adeptos é completamente diferente.
Esse problema surgiu hoje contra o Setúbal. O Marítimo não dominava o jogo, os jogadores passavam por grandes dificuldades, o Setúbal teve enormes oportunidades para marcar e, se não fosse a espantosa exibição do Marcos, o Setúbal tinha mesmo vencido.
E os adeptos? Logo na primeira parte já se ouvia ofensas aos jogadores do seu próprio clube. Os heróis de ontem hoje foram tratados como forasteiros, como inimigos, como gente de ninguém. Eu que não sou maritimista, senti um ambiente de injustiça revoltante.
Ao Makukula chamavam "girafa" e "barrote preto" e que "não jogava nada". Uns diziam que era um jogo de "solteiros e casados", outros que "estavam com sono e que não vinham mais aos Barreiros". Outros chamavam "torrão queimado" ao Kanu. Alguns diziam "mexe-te encardido" outros que "os jogadores do marítimo estavam de ressaca", que "não faziam uma jogada que prestasse".
O guarda-redes Marcos, que fizera uma enorme exibição, quando pontapeava a bola, recebia apupos e impropérios que não reproduzo por respeito e porque precisaria de uma bolinha vermelha no canto do ecrã.
É bem possível que estes comportamentos de adeptos sejam normais em todos os estádios de futebol, no entanto, é injusto tratar desta forma uma equipa que até está a jogar bem.
No futebol, as equipas só são reconhecidas quando ganham jogos, não há nada a fazer. É o nosso futebol.

