Quadro de Salvador Dali, nascimento de um novo Homem
Desfraldar a bandeira do maior partido da oposição na Madeira é encarado, por determinadas mentes, como uma injustiça e traição ao instituído, e talvez por isso tentem depreciar todo o tipo de iniciativas do PS, seja pelo que faz ou que não faz.
Isto é, por um lado, censuram o PS-M de não se abrir à sociedade, mas por outro, quando um independente, quadro dessa sociedade civil, reconhecido pela sua competência, adere ao projecto socialista, juntam-se todos a enumerar os seus defeitos e a menosprezar a sua atitude cívica.
Se o PS-M segue uma estratégia de combate cerrado ao PSD, fiscalizando os actos administrativos, defendendo o estado de direito e combatendo a corrupção, caem montanhas de críticas, alegando a inexistência de provas e que o PS procura apenas o mediatismo dos holofotes, não empreendendo uma oposição construtiva.
Se o PS-M adopta uma estratégia sustentada em propostas credíveis, com um programa alternativo, argumentam que não estão no governo e então desvalorizam-nas, catalogando-as de irrealistas e despesistas, contudo, se as mesmas surgirem, pouco tempo depois, como acontece tantas vezes, nas promessas dos do poder, aí as propostas já são boas, são credíveis e o dinheiro já não é problema.
E há mais. Se os eleitos do PS-M só aparecerem em época de eleições, são acusados de só se lembrarem do voto neste período. No entanto, como se manifestam diariamente e pressionam quem governa, censuram-nos na mesma, protestando que só aparecem para dar nas vistas.
Não obstante, em relação ao PSD, que aparece todos os dias, em todos os meios de comunicação social, várias vezes ao dia, é só elogios. Então, em que ficamos?
Os partidos da oposição, com um estatuto próprio legislado, mas não respeitado, têm dificuldade em interferir, de um modo directo, na acção concreta do governo e quando o conseguem a visibilidade recai sempre no poder, não sendo assim possível fazer passar a mensagem de uma alternativa, porque, como se vê, os canais estão todos bloqueados.
Devido à forma como se exerce o poder na Região, a sociedade civil da Madeira vive condicionada, em alguns casos, dependente, não reage, acomodou-se. Fala alto, lamenta-se muito e, sem se envolver numa única causa que contrarie a maioria, habituou-se a pedir ajuda aos partidos da oposição, sem qualquer reconhecimento posterior.