domingo, 11 de novembro de 2007

O PSD-M quer a independência da Madeira!

O PSD-M ameaça de novo com a independência da Madeira.
Embora Filipe Malheiro, dirigente do PSD-M, tenha manifestado, no seu blogue, Ultraperiferias, a sua oposição à ideia, (Contra, radicalmente), mais nenhum outro dirigente, nem o presidente do Partido, veio se demarcar de Gabriel Drumond, actual deputado do PSD-M e presidente da Associação Fórum para a Autonomia da Madeira que tem o Presidente do Governo Regional, dr. Alberto João, como sócio n.º 1.
O deputado diz, numa entrevista à TSF-Madeira, que se o Governo Português não aceitar a vontade dos PSDs cá do burgo, aquando da revisão da Constituição, “A minha atitude é declararmos unilateralmente a independência na Assembleia Legislativa da Madeira” e continua os disparates: “se essa pretensão não for atendida a Madeira deve seguir a via da independência, em 2010” e assegura que tudo fará para convencer os seus amigos do poder regional da validade da sua proposta.
Em relação à reacção do dirigente Filipe Malheiro, apesar de reconhecer a sua coragem em apresentar de uma forma tão aberta a sua discordância, nesta como noutras questões internas do seu partido, não posso deixar de comentar alguns dos seus argumentos, muito curiosos.
Ora, Filipe Malheiro discorda da independência da Madeira, defendida pelo deputado do seu partido, não porque a Madeira é parte integrante do território Nacional; não porque pugna pela unidade do território português; não porque não somos um país à parte; não porque não temos quaisquer razões em termos históricos e culturais, nem muito menos pelo facto de não possuirmos uma língua própria, mas simplesmente porque considera, naturalmente, que não haveria garantia de sobrevivência.
Então, Filipe Malheiro reconhece que a Madeira não é sustentável, que depende financeiramente da República e essa é a única razão para não desejar a independência. É a minha conclusão.
E se houvesse os tais recursos financeiros, caro Filipe Malheiro? Defendia também a independência?

Transcrevo apenas alguns dos seus argumentos:
“mas afinal onde existem garantias de que a “independência” seria o “paraíso” dos madeirenses? (...) Que receitas concretas teria a Madeira enquanto “Estado”? E as obras seriam pagas com o quê? (...) Que recursos financeiros seriamos capazes de gerar para garantirmos dinheiro necessário para pagar tudo o que actualmente pagamos (o erário público)? E as concessões feitas para não sei quantos anos, davam em quê?"
Como se vê, o único problema é o dinheiro.
São estas informações que o primeiro-ministro José Sócrates precisa de conhecer. Estas reivindicações e comportamentos do PSD-M só vêm dar razão aos discursos do presidente do PS-M, dr. João Carlos Gouveia, e da sua direcção.



O Idiota é um dos mais fabulosos romances de Fiódor Dostoiévski. Conta a história de um Principe, bom e humilde, colocado em confronto directo com a dura realidade envolvente.
Nesta obra intemporal, encontramos o conflito sentimental profundo entre o bem, o mal, o belo, a aversão e o rancor, mas sempre sem nos depararmos com uma resposta definitiva.
Li e gostei imenso. Mais um dos livros que vale a pena ler.


Um excerto:
"Em volta dele tudo era silêncio, um silêncio bom, claro, com um restolhar de folhas suave que parecia tornar o silêncio e a solidão maiores (...) por fim acercou-se dele uma mulher. Neste rosto havia tanto arrependimento e tanto terror que mais parecia o de uma horrível criminosa que acabara de cometer um crime hediondo. Uma lágrima única tremia-lhe na face pálida; chamou-o com a mão e levou um dedo aos lábios, como que avisando que fosse atrás dela sem barulho. O coração dele esmoreceu num desmaio; recusava-se , recusava-se com todas as forças a vê-la como uma criminosa, mas sentia que alguma coisa de terrível ia acontecer agora, e para toda a vida."

Outro excerto:
"Quero ser corajosa, e não ter medo de nada. Não quero ir aos bailes deles, quero ser útil. Há muito que eu me queria ir embora. Há vinte anos que me mantêm fechada e passam a vida a tentar casar-me. Já aos catorze anos eu pensava fugir, embora fosse ainda uma parvinha. Agora planeei tudo e estava à sua espera, para lhe perguntar tudo sobre o estrangeiro. Nunca vi nenhuma catedral gótica, quero ir a Roma, quero visitar todos os gabinetes científicos, quero estudar em Paris. Neste último ano tenho preparado e estudado, li muitíssimos livros, li todos os livros proibidos (...) quero mudar completamente a minha siuação social. Não quero ser filha de general (...) Nunca fui para lado nenhum. Sempre em casa, rolhada como numa garrafa, e tenho de sair directamente da garrafa para me casar."

Fiódor Dostoiévski

sábado, 10 de novembro de 2007

Escorar a vida


Vagueio por entre os trilhos da cidade
enfrento os espaços
os edifícios mais as amontoadas silhuetas
e pasmo a flutuar
saio dali e abafo as formas com o silêncio
profundo do futuro.

Esgravato um alicerce para escorar aí a minha vida
mas ouço apenas o cantar de um pássaro
não é um rouxinol
é um murmúrio longo misterioso
igual ao som do vento
a sussurrar nas gargantas das ruas estreitas.


Rui Caetano

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Os "lobbies" no Centro de Segurança Social da Madeira

Salvador Dali

Roque Martins, presidente do Conselho Directivo do Centro de Segurança Social da Madeira, não pára de nos surpreender, pela sua coragem. O estranho é que esta postura ousada surge apenas agora, quando está a terminar o mandato.

Numa entrevista ao DN, (Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007), depois de ter dito na RTP-M que havia 57 mil pobres na Região, vem agora dizer que "há lobbies a movimentar-se dentro da segurança social..." E afirma mais: "Os lobbies em si são uma velha história desta casa. São pequenos poderes ou grupos de pequenos interesses que se querem sobrepor ao poder exercido de forma ligítima e democrática pelo presidente e respectiva equipa". E mais à frente : "... É verdade que pressinto que há outros tipos de interesses mas que não me afectam, porque é uma estratégia já conhecida e, por isso, grotesca".

Então, existe este tipo de jogos nesta instituição pública e ninguém faz nada! É assim tão comum!Estas declarações são gravíssimas, mas, na Madeira, com este Governo Regional, é tudo normal. Já agora, uma pergunta inocente ao sr. Roque Martins: Qual foi o "lobbie" que o colocou na direcção do Centro de Segurança Social da Madeira?

Orçamento de Estado e deputados

De facto, dos três deputados do PS-M na República, esperava que pelo menos o deputado Jacinto Serrão, ex líder do PS-M, grande conhecedor das nossas dificuldades políticas, tomasse outra posição na votação do OE. Em relação ao dr. Maximiano e à dra. Júlia Caré tinha a convicção de que muito dificilmente respeitariam a indicação da Madeira.
É difícil compreender o sentido de voto do dr. Jacinto Serrão nem que seja pelas funções que já ocupara no PS-M.
Mas se alguém falhou nesta questão não foi, com certeza, o PS-M, nem o seu líder nem a sua direcção, todos nós cumprimos a nossa parte e muito bem, se alguém não cumpriu e falhou não fomos nós.
O PS-M foi honesto e sério na sua posição em relação ao OE de 2008. Fomos claros nas nossas intenções e estávamos firmes nos nossos objectivos. Temos convicções e sabemos o que queremos para a Madeira.
Aquilo que pedíamos era mais do que legítimo. Os apoios que solicitámos enquadram-se numa estratégia diferente do PSD-M, pois enquanto para o PSD, e não só, o OE é apenas e só dinheiro vivo, para o nosso PS-M é mais do que dinheiro, exigimos uma outra postura em relação à Madeira, exigimos que o Governo da República invista nos organismos da sua competência na Região.
Exigimos mais meios para a Justiça, mais e melhores tribunais, mais e melhores condições para as polícias etc.
Mas os deputados eleitos pela Madeira, nas listas do PS-M, que deveriam defender os interesses dos madeirenses, têm uma visão diferente e, por isso, esqueceram-se da sua Terra.
Venham falar com o povo madeirense e ouçam o que ele tem para dizer.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Orçamento de Estado III

Os deputados eleitos nas listas do PS-Madeira, na Assembleia da República, votaram favoravelmente ao OE 2008, contrariando a solicitação dos órgãos do PS-M. Fizeram a sua escolha!
Cometeram um grave erro. Os madeirenses estão atentos.
A actual direcção do PS-M sabe o que quer. O PS-M tem um projecto com os madeirenses.
Não há mais nada a dizer.

OE: Deputados da Madeira do PS na República II

Em relação ao Orçamento de Estado, votado hoje na generalidade, a decisão dos órgãos do PS-M é que os deputados eleitos pelo círculo eleitoral da Madeira optem pela abstenção nesta fase e depois, na especialidade, conforme as negociações, o voto deverá ser alterado para a favor ou contra.
Mas é preciso ter consciência de que a decisão é dos deputados. Naturalmente que os madeirenses estão atentos ao sentido de voto. Os deputados não poderão se esquecer que foram eleitos na Madeira para defender os interesses dos madeirenses.
O Presidente do PS-M e o secretariado, defendendo os reais interesses dos madeirenses, fizeram a sua parte.
Esperemos dos deputados o mesmo. Os madeirenses estão atentos e exigem responsabilidades.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

PS-Madeira e OE: a ordem é para abstenção

Não há outra coisa a fazer.
Como ainda não vimos salvaguardadas as nossas posições em relação às obras do Governo da República na Região, consideramos que os deputados eleitos pela Madeira, nas listas do PS, não podem votar favoravelmente ao OE.
O secretariado do PS-Madeira decidiu por unanimidade solicitar aos seus deputados da República, dr. Jacinto Serrão, dr. Maximiano Martins e dra. Júlia Caré, que o seu voto, no Orçamento Estado para 2008, na generalidade, seja a abstenção .
O voto da abstenção reflecte uma porta aberta para alterarmos o sentido de voto na especialidade, se as nossas reivindicações para a Região forem salvaguardadas pelo OE.
Agora, a responsabilidade está nas mãos dos deputados eleitos pelos votos dos madeirenses. Mesmo que devam obediência estatutária ao PS nacional, devem obediência política ao PS-M e aos votos do povo madeirense, que os colocou na Assembleia da República.

Palhaçada na Assembleia Legislativa da Madeira

Esta cena ocorreu no parlamento da Bolívia, não se assustem.
A cena que conto já foi na Madeira, no Parlamento Regional.
A imagem dos políticos da Madeira e da Assembleia Legislativa Regional cai, a cada dia que passa, nas ruas da amargura.
E esta imagem surge por culpa de alguns, poucos, deputados que não sabem se comportar civicamente. Algumas atitudes antidemocráticas e de desrespeito pelos outros acontecem devido ao excesso de poder que alguns deles detêm.
Alguns senhores do PSD-M consideram-se portadores de um poder absoluto que domina tudo e todos e, por isso, não receiam adoptar uma conduta condenável socialmente, mesmo que envergonhem os madeirenses que os elegeram.
Até quando?
Já não basta o escândalo dos milhões de euros que a Assembleia esbanja, sem sentido, já não basta as mordomias que alguns deputados assumem para si, ainda se acham no direito abusivo de se comportarem mal, de não agirem com educação e deferência perante os adversários políticos, utilizando uma linguagem de baixo nível, por vezes arruaceira, segundo me dizem.
E andámos a discutir o estatuto dos alunos? E andamos a discutir a indisciplina na escola? E andamos a discutir a falta de educação dos nossos alunos? E estes senhores deputados eleitos pelos votos do povo? O exemplo deveria vir de cima.
Os alunos deveriam conhecer estes comportamentos destes senhores deputados indisciplinados e reflectirem seriamente entre si.
Ao longo dos anos, contam-me comportamentos tristes de alguns deputados na Assembleia. São provocações imorais, bocas indirectas de carácter pessoal, ofensas ostensivas e provocantes, em suma, uma autêntica peixaria.
O Presidente da Assembleia faz de conta que não ouve, porque as provocações vêm da maioria, por isso, manda seguir em frente e não intervém de modo pedagógico.
Depois choram que a imagem dos políticos é má! De quem será a culpa? De alguns deles. Não são todos, pois a estratégia de generalizar é errada e injusta, pois nem todos são de baixo nível e de uma educação terceiro-mundista. Tanto nos partidos da oposição como da maioria há deputados cumpridores e respeitadores das diferenças, mas outros há que nem na América latina teriam lugar.
Ontem, foi mais um episódio consternador, humilhante para todos nós madeirenses. Dois deputados, o do PND e o Presidente do Grupo Parlamentar do PSD-M, Jaime Ramos, investiram um contra o outro.
O deputado do PND fazia a sua intervenção normalmente e do outro lado o Presidente do Grupo Parlamentar do PSD-M, e mais alguns deputados da maioria, disparavam uma série de ofensas contra o deputado que discursava.
A determinada altura, o Presidente do Grupo Parlamentar do PSD-M insinuou questões relacionadas com a droga e com a infância do deputado do PND. Este, sentindo-se ofendido na sua honra, exaltou-se e, de mãos nos bolsos, dirigiu-se junto do Presidente do Grupo Parlamentar do PSD-M pedindo que ele repetisse as ofensas, se ele “tinha a coragem de as repetir”.
Se outros deputados não se colocassem entre os dois, com certeza, haveria agressões físicas.
Um espectáculo deprimente, humilhante para todos nós.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Rocha da Silva não entrega declaração de património?

Será mesmo verdade? Nem quero acreditar! Segundo o blogue Pravda Ilhéu, conforme o Garajau e outros blogues, Rocha da Slva, o Director Regional de Florestas e Pescas, há dez anos consecutivos que não entrega a sua declaração de património ao Tribunal Constitucional.
Então, o sr. Rocha da Silva não cometeu a mesma infracção dos vereadores que também não entregaram esta declaração dentro dos prazos estipulados por lei?
Mas os vereadores da oposição foram acusados pelo Ministério Público e este sr. director? O ministério público não fez nada neste caso?
Só se lembrou dos vereadores da oposição? Mas é assim que actua o Ministério Público?
Pede a perda de mandato aos vereadores da oposição por não entregarem um documento e já não pede a perda de mandato a um director regional que também não entregou o mesmo documento? O tratamento não é igual?
Em que país vivemos nós? Se esta informação, que ainda não foi desmentida, é verdadeira, só posso concluir que corremos todos um grande perigo.
Quem nos salva? O presidente da República? Perante esta prova, o que fazer? E depois dizem que o dr. João Carlos Gouveia, o presidente do PS-M, não tem razão.
A ser verdade, linda justiça a que temos na Madeira! Como ainda hoje me dizia um homem do povo, "se isso que você me conta é verdade isto tá pior que no tempo da Pide e do Salazar, estamos fritos e bem fritos!".

domingo, 4 de novembro de 2007

Comas alcoólicos dos estudantes nas praxes

"O Rali das Tascas".
O que dizer desta forma tão peculiar e "formativa" de integrar os novos alunos na Universidade? A Associação de Estudantes da UMa e as respectivas comissões de praxes organizam, todos os anos na Madeira, o "Rali das Tascas".
O objectivo, segundo li no DN, é quem mais beber é o vencedor, isto é, o grupo de universitários que conseguir chegar ao final do "rali da bebedeira sem limites" com mais elementos é considerado o grande vencedor.
Mas que integração no mundo universitário!
Já percebi porque é que há tanta gente a se arrastar pelas universidades, anos e anos, sem acabarem o curso, e o Estado é que suporta isto.
Esta aventura das tascas, sem qualquer sentido, aprovada e incentivada por uma Associação de Estudantes, fez com que, nestes dias, pelo menos, 10 alunos ficassem internados no Hospital em coma alcoólico.
Além das fortes bebedeiras que provocaram confusões e agressões, atingindo a polícia e outras pessoas que circulavam no local, vários estudantes universitários foram detidos e presentes em tribunal, pelas tais agressões cometidas, por injuriarem e desobedecerem às autoridades.
Este episódio, que os mesmos de sempre tentarão desvalorizar, vem trazer para a discussão, mais uma vez, as polémicas praxes.
Recuso o silêncio sobre esta matéria. O discurso reinante de que as praxes existem para integrar os novos alunos na Universidade, para mim, é uma mentira clamorosa.
Estas actividades de praxes têm apenas a função de humilhar e exercer um poder abusivo e sem regras contra os estudantes caloiros que devem obedecer cegamente.
Há que apurar responsabilidades.
Estas vergonhas não dignificam ninguém, antes pelo contrário, colocam em causa a segurança e a saúde dos universitários e mancham a imagem pública da Universidade da Madeira.

sábado, 3 de novembro de 2007

"Res Publica da Madeira"

Foram várias as pessoas que me interpelaram querendo conhecer a minha opinião acerca da organização cívica Res Publica da Madeira, fundada por 3 deputados, 2 do PS-M e 1 do PND-M, e se aceitaria integrá-la.
Embora desconheça a génese da sua constituição, segundo li, os seus mentores, como um movimento de cidadãos livres, assumem como objectivos principais a promoção do Estado de Direito e a salvaguarda das Liberdades dos cidadãos.
A criação deste tipo de organizações é positiva. E no nosso contexto político e social ainda se torna mais importante, por poder representar um espaço democrático onde deverá imperar o debate e o confronto das ideias com diversidade e pluralidade.
A Madeira está repleta de associações e organizações civis, de bombeiros, de carácter social, desportivo, cultural, recreativo, empresarial, lideradas, fundadas e dominadas pelos homens do poder laranja, desde deputados, governantes, a altos dirigentes do PSD.
Por isso, considero importante que pessoas de outros quadrantes políticos, mesmo que sejam profissionais da política, diferentes entre si, opostos nas ideias e na concepção do mundo, se organizem e criem uma organização cívica deste teor.
Em relação à minha adesão e participação na referida Associação, não tenho condições pessoais para dar o meu contributo, pois, neste momento, além da minha actividade profissional, professor, ocupar a grande parte do meu tempo, assumo também grandes responsabilidades no partido Socialista como Coordenador da política autárquica e vereador.
Assim, nesta fase, depois da minha profissão e de outros projectos de índole pessoal, opto por me dedicar à minha actividade partidária.

Homem sem rua

Pintura de Rembrandt, o mendigo


O homem
mendigo sem rua
adormece sob a costura do mundo
sem nunca perder o sorriso
que arde frio na imaginação da noite

estende o leito
com o jornal da tarde de longos dias
onde abandona o corpo desgastado pelo desejo

abafa
a notícia sempre mais além
e não consegue ler que a vida é nada
mas pior ainda
não descobre a tempo que o seu destino não chega a nascer
e se nascesse
decidiria envelhecer na orla oposta à felicidade

o homem
mendigo sem rua
cerra a luz perdida
no olhar cansado de uma vontade
até ao dia da libertação da notícia espezinhada.

Rui Caetano

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Rankings das escolas públicas e privadas

Não pretendo, agora, manifestar a minha opinião sobre se é legítimo ou não publicarem as tabelas e os rankings das escolas, a partir dos resultados dos exames nacionais, embora considero importante as escolas analisarem os seus resultados, discutir determinados pormenores, explicarem entre si certas disparidades e tirarem as conclusões devidas.
A minha reflexão incide no facto de as escolas privadas liderarem sempre este tipo de rankings.
O ranking tem colocado as escolas privadas nos primeiros lugares, transmitindo a ideia de que ali a qualidade do ensino é superior à do sector público.
Ora, numa primeira análise, ninguém pode contestar que os resultados dos alunos do privado são bons, mas torna-se imprescindível lembrar ou informar que, nestes colégios privados, não entram todo o tipo de alunos, independentemente do seu nível social ou ambiente familiar. Nestes colégios, só entram alunos bem comportados, só fazem parte alunos sem indícios de maus comportamentos e dão prioridade aos alunos interessados, motivados e aqueles que pretendem estudar de uma forma séria.
Nestes colégios, os pais e encarregados de educação estão presentes na vida escolar e sempre que são chamados vêm mesmo saber da situação do filho.
Mesmo que algum aluno esteja num destes colégios com algum nível menos satisfatório, não haverá problemas e continua o seu percurso, todavia, se o que estiver em causa for o comportamento ou a desestabilização das aulas com qualquer fenómeno de indisciplina, esse aluno não volta a se matricular no mesmo colégio, porque não será aceite.
No ensino privado, não há alunos indisciplinados, pois se os houver, na primeira opotunidade, são convidados, sem hipótese de recusarem, a mudarem de escola.


Quantos alunos chegam ao ensino público porque foram expulsos ou impedidos de renovar as matriculas em estabelecimentos do ensino particular? Conheço vários casos.
Contudo, as escolas públicas, além de receberem todo o tipo de alunos, não podem recusar estes alunos expulsos do ensino privado, e mesmo que os pais não demonstrem qualquer interesse pelo rendimento ou comportamento do educando e mesmo que esteja desmotivado continuará dentro da turma e, no ano seguinte, renovará a matricula.
No ensino público, os professores lidam com situações difíceis, desde os problemas sociais gravíssimos, onde existem alunos que passam fome, até à indisciplina, com agressões verbais e, em alguns casos, física.
Os resultados dos exames dos alunos do ensino público passam também por estes testes sociais.
No ensino privado, a selecção é mais aprimorada, viciando, logo à partida, os critérios estipulados para definir os rankings das escolas.

Novamente a criminalidade na Madeira


A criminalidade continua a aumentar na Madeira a um ritmo assustador, mas os responsáveis políticos, e não só, continuam a desvalorizar esta realidade sentida no dia-a-dia pelos madeirenses. O sentimento de insegurança que já existe não é apenas psicológico, como alguém disse, é real e bem real.

Estas entidades preferem enfiar a cabeça na areia e não se apressam a combater as causas desta problemática social.

Não é correcto tentarem comparar a nossa realidade com a de outros países, a dimensão é incomparável, os termos comparativos devem ser feitos com a Madeira de há 10 anos atrás, quando éramos o "cantinho do céu", em termos de segurança.

As causas são evidentes: resultam da pobreza, são pois cerca de 52 mil pobres, na Madeira. É o desemprego, são cerca de 8 mil desempregados, na Madeira. É o consumo de drogas e álcool sem controlo. É o absentismo e abandono escolar. É o aumento do desnível entre ricos e pobres e tantos outros factores.

Em síntese, se quem governou a Região foi apenas o PSD-M, esta onda de criminalidade é o resultado das políticas dos homens sós deste partido. Nunca ouviram a oposição, sempre desprezaram as suas propostas e ideias, por isso, são eles os donos deste flagelo social.

Assim, concluímos que o modelo de desenvolvimento imposto aos madeirenses pelo PSD-M falhou, as políticas sociais presas à subsidio-dependência também falharam profundamente.

Há que combater as causas. A polícia deve assumir o seu papel, mas necessitam de mais meios humanos e técnicos. O Governo Regional e as Câmaras Municipais não podem continuar a sacudir as suas responsabilidades, devem agir e intervir de modo eficaz no combate às causas.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Mais dinheiro desperdiçado. Assim não!

Transcrevo uma notícia da autoria de Tolentino Nóbrega, o correspondente do jornal Público, na Madeira. A afronta é de tamanha ordem que nem arrisco comentar o seu conteúdo.
Leiam e tirem as vossas ilações.
Esta notícia, aliás, já foi comentada pelo alto dirigente do PSD-Madeira, Filipe Malheiro, no seu blogue ultraperiferias, mas, ao contrário do que afirma, e na minha opinião, não há explicação possível, não existe nenhuma forma consistente, perceptível e sobretudo lógica para os gastos previstos.
O que há é abuso de poder e desperdício de dinheiros públicos.


A notícia é a seguinte:

"Madeira tem o mesmo orçamento com menos 21 deputados"

"Subvenção para os grupos parlamentares é oito vezes superior à dos Açores"
"O orçamento da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM) para 2008 atinge os 17,2 milhões de euros, praticamente o mesmo do ano corrente, apesar de ter perdido quase um terço dos seus deputados.
Ao passar de 68 para 47 deputados, o parlamento deveria poupar quase três milhões de euros, a presente proposta do conselho de administração da ALM traduz um novo aumento nas subvenções, passando de 15 para 20 salários mínimos nacionais (acrescidos dos mais dois por cento na Madeira), vezes 14, quando os subsídios são normalmente transferidos em duodécimos (12).
Para os vencimentos do presidente prevê 67,5 mil euros (acrescidos de mais 22,500 mil em despesas de representação), dos três vice-presidentes 151 mil (com direito a mais um suplemento de 49 mil) e dos restantes 43 deputados 2,175 milhões de euros.
A proposta inclui a aquisição de uma nova viatura oficial para o presidente e de novo mobiliário para o plenário, há pouco remodelado devido à diminuição de lugares, entre outras despesas de investimento que atingem 671 mil euros, mais 18 por cento que em 2007.
O Orçamento da Assembleia dos Açores, já aprovado, tem o valor global de 10,453 milhões, correspondente a 60 por cento do da Madeira, apesar de ter mais cinco deputados (52) dispersos por nove ilhas".

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Viagens aéreas entre as ILHAS e o CONTINENTE PORTUGUÊS

As ligações aéreas entre a Madeira e outras cidades europeias começam a ter diversas alternativas em quantidade e a preços baixos, muito baixos, beneficiando, em larga medida, os turistas que pretendam viajar para a Madeira e, em consequência, as agências de viagens e os grupos hoteleiros.
Esta maior oferta de operações para a Região torna-se importante ao desenvolvimento do sector do turismo, bem como a uma grande economia paralela, todavia, os madeirenses não estão satisfeitos, antes pelo contrário, porque ainda ninguém resolveu a situação das viagens aéreas entre as nossas ilhas e o Continente Português.
Continuamos a ser explorados. É de ficarmos enervados!
Primeiro aumentaram o valor das viagens aéreas entre as ilhas e o Continente Português, os madeirenses que se aguentem. Em segundo, resolveram o problema dos turistas, pois, a título de exemplo, uma viagem entre a Madeira e Londres passa a custar 40 euros. Em terceiro, voltaram a adiar as soluções para o problema dos ilhéus.
Aos madeirenses e aos açorianos oferecem muita conversa, imensas promessas, mas as operações entre as ilhas e o Continente Português continuam na mesma, isto é, a preços exorbitantes e com o direito de, por vezes, perderem a bagagem.
Continuamos à espera. Que remédio!

sábado, 27 de outubro de 2007

Sem limite


Caminho
por caminhar caminho em direcção ao tudo
onde possa escolher um trilho ou rascunhar uma pista
no mapa de um olhar antigo


não fico pela sombra das intenções e, por isso, caminho
levado pelo meu pé
sem a preocupação do limite.

Tomei um percurso inquieto

e caminho
desfazendo as gotas de orvalho

que ensopam o chão da minha vontade.

Rui Caetano

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Perda de Mandato: o Ministério Público recorreu da decisão do juiz.

Como já tinha informado, o Juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal considerou improcedente o processo da minha perda de mandato do cargo de vereador, porque ficou provado, em tribunal, que eu não tinha sido notificado pelo Tribunal Administrativo, para que entregasse a minha declaração de património, como prevê a lei.
Deste modo, o juiz decidiu que não havia qualquer fundamento legal que me levasse a perder o mandato.
O Curioso, ou não, de tudo isto é que o Ministério Público recorreu da decisão do juiz e alega que devo mesmo perder o mandato.
O Ministério Público tem todo o direito em recorrer da decisão do juiz, contudo, tendo em conta que eu não cometi nenhuma infracção grave, porque só seria considerada infracção se, após a notificação, não tivesse entregue o documento. Assim, como não fui notificado, então, o documento entrou dentro dos prazos estipulados por lei.
O recurso é ligítimo, mas, a meu ver, completamente descabido e exagerado.
O magistrado do Ministério Público, que assistiu às inquirições e ouviu as testemunhas que vieram a provar que eu não tinha sido notificado, não é o mesmo que recorreu da decisão do juiz. Naturalmente, leu as actas, mas não esteve frente a frente com as testemunhas nem as questionou.
Existem na Região tantos casos de irregularidades detectados pelo tribunal de contas, existe uma onda de suspeição devido a relatórios de inspecções, existem várias violações de PDMs, existem tantos sinais exteriores de riqueza de certas pessoas, há políticos a comprarem apartamentos de luxo a menos de metade do preço da avaliaçao, entre outras tantas situações.
O que tem feito o Ministério público em relação a estas matérias? Tem actuado? Tem ou não tem arquivado processos sobre estas matérias?
Em relação ao meu caso, que pago todos os impostos, que não possuo qualquer património que não esteja a pagar ao banco e que é possível confirmar com a declaração do IRS, que entrego todos os anos dentro dos prazos, que não cometi nenhum crime, o Ministério público recorre do processo que envolve apenas um simples documento que já fora entregue.
Está no seu direito, mas que é esquisito lá isso é.
Estou revoltado, desiludido, e não posso dizer o que me vai na alma!
Mas ando a reflectir sobre muita coisa, lá isso ando.
Gosto imenso da política, enquanto debate de ideias, enquanto dedicação à causa pública, todavia, há um tempo para tudo, há limites e ainda não sei o que vou fazer!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

O esbanjamento das câmaras

As transferências das Câmaras da Madeira, provenientes do OE para 2008, recebem um aumento de 3 milhões de euros. Apenas a Câmara do Porto Santo sofre uma diminuição de verbas.
Este aumento não é suficiente para cobrir os encargos com as novas atribuições e competências das câmaras. É verdade. Estou ao lado das câmaras quando exigem mais meios financeiros e técnicos para que possam servir as populações com qualidade.
As câmaras estão a reagir contra as verbas transferidas do OE para 2008, pois este orçamento não vem ao encontro das suas expectativas.
Que as câmaras exijam mais dinheiro é perfeitamente natural, no entanto, a meu ver, falta a outra face da questão.
Os presidentes destas nossas câmaras só se lembram de pedir dinheiro, mas esquecem-se de exigir a eles próprios rigor e contenção nos gastos dos dinheiros públicos. Também não informam os madeirenses dos gastos supérfluos, dos esbanjamentos que promovem ao longo dos seus mandatos.
Além de algumas autarquias cometerem irregularidades nos actos administrativos e não empreenderem, na sua maioria, critérios rigorosos na atribuição de subsídios, desperdiçam, sem qualquer penalização, os dinheiros públicos.
Indico apenas alguns exemplos concretos desse desbaratar sem controlo.
Uma câmara gasta, no mínimo, 60 mil euros para levar os amigos e afilhados à venezuela.
Uma câmara pagou, numa única obra, 660 mil euros de obras a mais do adjudicado inicialmente.
Construiram caminhos, com saneamento básico, em sítios que não beneficiam uma única habitação, embora, por mera coincidência, venham beneficiar terrenos do vice-presidente dessa autarquia.
Fazem outras estradas com curvas e contracurvas de modo a passar junto da Quinta de um sr. Secretário Regional.
Uma câmara paga almoços e serviços de cocktail a comitivas de gente do futebol na sala VIP do Estádio dos Barreiros.
Uma Câmara entrega 145 mil euros ao clube de futebol do Concelho, sem qualquer retorno nem benefício para os munícipes.
Há câmaras que utilizam o procedimento de ajuste directo em obras que, pela verba envolvida, exigiam concursos públicos.
E fico por aqui.

O PSD-M prepara-se para IMPLODIR

O PSD-Madeira entrou em ebulição há já algum tempo.
Basta assistirmos às reacções e comportamentos de alguns "barões" do aparelho partidário e de alguns outros mais da área política.
O facto de o dr. Alberto João Jardim se eternizar no poder vem anular as ambições desmedidas daqueles laranjinhas que o querem substituir, esta estratégia do AJJ enfraquece os possíveis "delfins", abrindo a expectativa a outros mais novos.
Esta demora, este adiar constante lança no interior do PSD-M um ambiente de convulsões difícil de gerir.
A guerra interna é visível já à vista desarmada. Veja-se as mudanças forçadas no interior do aparelho, o caso das "negociatas" na Câmara do Funchal e a ausência do Vice-presidente na reunião do governo com a CMF. A reacção do presidente da autarquia de Câmara de Lobos; a humilhação pública que foi alvo o professor Virgílio Pereira, por parte da principal estrutura do PSD-M, e o posterior regresso à mesma estrutura que o tinha expulsado, confirmando assim que, afinal, o professor tinha a razão consigo. Os apoios estratégicos ao Filipe Menezes e ao Marques Mendes e, nas últimas eleições regionais, a própria lista de candidatos a deputados pelo PSD-M reflectiu também, e muito, estes jogos de poder, na máquina laranja.
Em suma, o PSD-M prepara-se para implodir.
Ao lermos as palavras do destacado dirigente do PSD-M, Filipe Malheiro, no seu blogue, percebemos o estado de sítio em que se encontram.
Embora de uma outra família política, considero-o um homem que assume as suas convicções sem rodeios, criticando quem tem de criticar, discordando quando considera que tem de discordar, mesmo que seja para o interior do seu PSD-M, aliás, no meu entender, o Filipe Malheiro deverá ser o único homem da confiança absoluta do dr. Alberto João.
Contudo, não somos ingénuos, percebemos claramente o que está em causa.
Ora, o que este pequeno grupo afecto ao AJJ está a montar é a criação das bases de uma consciência crítica interna para o pós Alberto João Jardim.
Sem mais comentários, transcrevo um texto publicado pelo dirigente do PSD-M, Filipe Malheiro, no seu blogue que, aliás, já foi também publicado por outros blogues.

Malheiro escreveu:

"Constou-me que andam algumas pessoas incomodadas por eu dizer o que penso. Para já digo-o quando entender. Depois não disse novidade nenhuma, porque limitei-me a dizer o que antes de tudo “acontecer” já tinha referido (caso do referendo e das “garantias” de Meneses). Como não incomodo nem as pequenas ou grandes “famílias” que já discutem o assalto ao poder (na altura a gente fala, podem estar certos disso…) e como não concorro nem com “delfins”, nem com ”pseudo delfins”, não seria mais fácil recomendarem ao Presidente do partido que me ponha na rua? Que tal o desafio? Por mim estão à vontade, até porque facilitam-me as coisas… O que me irrita não são estas bocas – porque elas fazem parte do dia-a-dia da política. O que me chateia é que pessoas que ficaram todas irritadiças quando João Jardim disse que seria candidato às eleições de Maio passado andem a desestabilizar tudo isto com a suprema lata de quererem responsabilizar terceiros pelo que eles andam a fazer. Um dia destes a gente fala..."

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Um já se vendeu por uma viagem à Venezuela!

Dito e feito!!
Eu já tinha referido, neste blogue, que algumas câmaras andavam a aliciar vereadores e outros dirigentes dos partidos da oposição, convidando-os a integrarem a comitiva que vai passear à Venezuela, com as despesas a serem assumidas pelas respectivas câmaras.
Ora, a Câmara de Santa Cruz, a tal que vai gastar 60 mil euros nesta excursão, aliciou e convenceu um dos vereadores do PS.
O lucro dessa oferta já começou a ser pago, pois esse vereador, na última reunião de Câmara, votou ao lado da maioria.
Há quem prefira seguir o caminho mais fácil, o caminho do pensamento único, o caminho da subserviência, o caminho do escravo sem livre pensamento. Basta estender uma simples esmolinha.
Como seria de esperar, a Concelhia local retirou a confiança política, e muito bem, ao vereador Arlindo Freitas, eleito nas listas do PS-M.
E garanto-vos que este não é um caso isolado. Se não houver recuos, haverá novidades, sem contemplações.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Em Nome da Terra

Em Nome da Terra.
Já o tinha saboreado há alguns anos e voltei a lê-lo.
A beleza de outrora ganhara novos contornos de fascínio, mas, embora a problematização do amor surja presa ao mesmo vigor e perturbação, esbarro, nesta repetida leitura, em renovadas descobertas e outros desencontros com a existência humana bem patente nesta obra de Vergílio Ferreira.
É um texto denso que nos lança nos caminhos da reflexão inquieta.
O romance é um autêntico poema ao corpo. João, o protagonista viúvo, reformado, recolhe-se a uma casa de repouso para não ser um peso à família e à sociedade e decide escrever uma carta à mulher que, entretanto, já falecera.

Um excerto:

"Entramos na água (...) Depois avançamos pelo mar, defrontamo-nos com a sua magnitude no nosso corpo vigoroso. E havia sol no teu ser imortal. E mergulhaste e escorria-te depois na face a festa do mar. E mergulhámos de novo para absorver o mar todo. E vogámos à tona de água, sustentados em nosso peso no seu dorso. Depois rompemos mar fora a um aceno invisível. E a eternidade existia. E nós parámos lá longe e deitamo-nos nela. O céu era muito azul e víamo-lo por cima. Havia nele espaço bastante para a nossa abundância interior e nós olhávamo-lo como quem chega à sua própria morada que não conhecia. Flutuamos no incerto de uma grandeza divina. Senhores da terra, do tempo. Da força, do poder. Estamos no meio do mar, olhamo-lo a toda a volta e o seu mistério infinito está em nós. Depois voltamo-nos para a praia, vamos remando devagar. Às vezes olhamo-nos. O teu riso estrídulo, os cabelos molhados, o mar cai-te das pestanas para os olhos. A face húmida, a alegria vertiginosa da vida, não há morte, não há morte. Depois deitamo-nos na areia ao sol, ouvimos o mar, o fervor na caldeira do mundo. Ou não o ouvimos, há o espaço do seu rumor e nós estamos no meio dele, deitados ao sol. Não vejo agora lá ninguém, para todo o espaço ser nosso. Enchemo-lo todo, estamos bem. (...) Não temos ideias, temos só a perfeição de estar".

Vergílio Ferreira, Em Nome da Terra.

Pelo menos uma Câmara vai gastar 60 mil euros para visitar a Venezuela

As Câmaras da Madeira foram convidadas pelo Centro Social Português de Caracas para participarem nas comemorações desta colectividade.
O problema não está no facto dos Presidentes de Câmara, ou algum seu representante, apoveitarem estas festividades e decidirem visitar os emigrantes provenientes dos nossos Concelhos, antes pelo contrário, considero importante este contacto directo.
Só que alguns senhores presidentes de Câmara transformaram este convite em mais uma forma para desbaratarem os dinheiros públicos, convidando grandes comitivas e suportando os custos da sua deslocação. Para quê?
Uma vergonha! Há uma Câmara que apresenta uma despesa de 60 mil euros para esta deslocação.
E não ficando satisfeitos com o despesismo e a afronta aos madeirenses, numa tentativa de branquear as despesas vergonhosas, andam a aliciar membros da oposição a integrarem a comitiva. Mas como o partido não concorda com esta decisão pessoal dos convidados eleitos, então aconselham a se desvincularem dos seus partidos e a se juntarem aos PSDs que querem troçar de todos os madeirenses.
Isto é, e afirmo sem rodeios, estão a tentar comprar pessoas com uma simples viagem à Venezuela.
A verdade é que quem aceita esta esmola mostra que não tem colona vertebral, que não tem qualquer respeito pelo partido que o elegeu nem o mínimo de consideração pelos munícipes do seu Concelho. Mas há pessoas assim.
Eu assumo aqui a minha discordância, aliás, manifesto a minha revolta. É inaceitável!
Como é que podemos combater este tipo de prepotência?
Onde é que está o sentido de responsabilidade destes presidentes de Câmara? E ainda falam da Lei das Finanças Locais?
É para este tipo de investimentos que querem mais verbas para as Câmaras?
Se as Câmaras atravessam dificuldades financeiras, se não possuem verbas para avançar com investimentos em prol das populações, se não têm orçamento para ajudarem os mais necessitados nos seus Concelhos como é que vão desperdiçar milhares e milhares de euros para pagar um passeio à Venezuela a amigos, afilhados e a alguns interesseiros?

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

SER OPOSIÇÃO NA MADEIRA II


Quadro de Salvador Dali, nascimento de um novo Homem
Desfraldar a bandeira do maior partido da oposição na Madeira é encarado, por determinadas mentes, como uma injustiça e traição ao instituído, e talvez por isso tentem depreciar todo o tipo de iniciativas do PS, seja pelo que faz ou que não faz.
Isto é, por um lado, censuram o PS-M de não se abrir à sociedade, mas por outro, quando um independente, quadro dessa sociedade civil, reconhecido pela sua competência, adere ao projecto socialista, juntam-se todos a enumerar os seus defeitos e a menosprezar a sua atitude cívica.
Se o PS-M segue uma estratégia de combate cerrado ao PSD, fiscalizando os actos administrativos, defendendo o estado de direito e combatendo a corrupção, caem montanhas de críticas, alegando a inexistência de provas e que o PS procura apenas o mediatismo dos holofotes, não empreendendo uma oposição construtiva.
Se o PS-M adopta uma estratégia sustentada em propostas credíveis, com um programa alternativo, argumentam que não estão no governo e então desvalorizam-nas, catalogando-as de irrealistas e despesistas, contudo, se as mesmas surgirem, pouco tempo depois, como acontece tantas vezes, nas promessas dos do poder, aí as propostas já são boas, são credíveis e o dinheiro já não é problema.
E há mais. Se os eleitos do PS-M só aparecerem em época de eleições, são acusados de só se lembrarem do voto neste período. No entanto, como se manifestam diariamente e pressionam quem governa, censuram-nos na mesma, protestando que só aparecem para dar nas vistas.
Não obstante, em relação ao PSD, que aparece todos os dias, em todos os meios de comunicação social, várias vezes ao dia, é só elogios. Então, em que ficamos?
Os partidos da oposição, com um estatuto próprio legislado, mas não respeitado, têm dificuldade em interferir, de um modo directo, na acção concreta do governo e quando o conseguem a visibilidade recai sempre no poder, não sendo assim possível fazer passar a mensagem de uma alternativa, porque, como se vê, os canais estão todos bloqueados.
Devido à forma como se exerce o poder na Região, a sociedade civil da Madeira vive condicionada, em alguns casos, dependente, não reage, acomodou-se. Fala alto, lamenta-se muito e, sem se envolver numa única causa que contrarie a maioria, habituou-se a pedir ajuda aos partidos da oposição, sem qualquer reconhecimento posterior.

domingo, 21 de outubro de 2007

Representante da República na Madeira ofende os madeirenses

Monteiro Diniz, o senhor que era ministro e agora é só representante da República, afirmou que a "Madeira é um meio aparentemente cosmopolita, mas também provinciano e isso gera uma forma de condicionamento comportamental e torna mais vulnerável o comportamento das pessoas (...)".
Aguardei este tempo para abordar esta ofensa aos madeirenses, esperando uma reaccão do Governo Regional e do PSD-M.
Alguns Blogues já fizeram referência a esta questão. Mas estou abismado com o silêncio do PSD-M. Então, o representante da República descreve a Madeira como uma província e não se diz nada?
O Governo Regional aceita, sem reagir, que o sr. Monteiro Diniz vá apanhar uns ares à grande Lisboa e a primeira coisa que faz é ofender os madeirenses e a nossa Madeira desta forma?
Em tempos, por muito menos, ouviram-se ataques ferozes ao comportamento do sr. representante, só faltou ao PSD-M leva-lo e enfiá-lo no primeiro voo da manhã para o continente só com bilhete de ida.
Mas pasme-se, hoje, o senhor diz que vivemos num ambiente provinciano e os senhores do poder regional fazem-lhe a vénia.
Incrível, injustificável este silêncio insurdecedor do PSD-M e do Governo Regional.
Estão com medo de quê?

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

55 mil pobres na Madeira

O Presidente do Conselho Directivo do Centro Social da Madeira, Roque Martins, afirmou num programa da RTP-M que existem, na Região, 55 mil pobres. Em termos percentuais, equivale a cerca de 22% de pobres na Madeira.
Quem indicou estes números foi o Presidente do Centro Social da Madeira, não foi nenhum membro da oposição, não são informações nem dados estatísticos fabricados por um meio de comunicação social, foram proferidos pelo Presidente do Conselho Directivo do Centro Social da Madeira.
Ele, melhor que ninguém, conhece a triste realidade social dos madeirenses.
Mas então, há pobreza na Madeira? Mas então, há pobres na Madeira? Mas o nível de vida dos madeirenses não é dos mais altos do país? Afinal, Não somos apontados pelo PSD-M como uma referência por esse mundo fora?
Mas então, o modelo de desenvolvimento imposto pelo PSD-M produziu tantos pobres? Mas que modelo foi esse?
O que andaram a fazer a todos os milhões e milhões de euros que receberam da União Europeia e Governo da República?
E agora, o que é que o PSD-M vai fazer? Demitir o dr. Roque Martins? Não o reconduzir?
Não foi possível esconder a verdade eternamente!
Mas que coisa! 55 mil pobres na Madeira!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

SER OPOSIÇÃO NA MADEIRA I

Na Madeira, dar a cara pelo PS, um partido que se assume como alternativa ao poder, representa grandes complicações e enormes responsabilidades. Já se tornou frequente culpabilizar o PS-M pela actual conjuntura política regional.
No entanto, havendo rigor na análise, embora o PS tenha a sua quota-parte do ónus, o fardo não pode recair apenas nos seus ombros.
Ganha contornos de desonestidade, procurarem esconder o facto visível de o PS-M enfrentar um PSD que, além de criar empregos na função pública, através do governo, controla e domina a igreja, as casas do povo, os clubes desportivos e associações culturais, empresas públicas e muitas privadas. Um PSD que possui rádios, espalhadas por toda a região, um jornal oficial do partido e uma fundação, com dinheiros inesgotáveis.
O campo de batalha é este e não outro. É nesta arena de leões ferozes que o PS-M e outros partidos da oposição lutam todos os dias.
O trabalho partidário não expressa a única forma de se fazer oposição, é evidente. Há mais incomodados a se manifestarem: alguns sindicatos, alguma comunicação social, alguns intelectuais, os opositores sentados no café a discutirem com os amigos, os críticos que, no local de trabalho, manifestam a sua revolta contra as injustiças e os que se indignam, entre os muros da casa, em frente à televisão.
Porém, esta forma de estar, confortável, não compromete nem implica se envolver num projecto diferente daquele de quem nos governa. É uma opção legítima, todavia, não desencadeia uma mudança política.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Pequena Criminalidade

Ontem, 17 de Outubro, li na Comunicação Social o seguinte:

"Ladrão furta idoso em cadeira de rodas";
"Levaram dinheiro de uma empregada";
"Assalto a restaurante de comida vegetariana".
"Tentativa de furto em cabeleireiro";
"Apanhado a tentar passar a linha da caixa registadora, sem efectuar o pagamento";
"Carteirista ataca jovem na "Avenida do Mar";
"PJ apreendeu 6,1 quilos de cocaina e deteve avó de 61 anos que levava a mala da coca";
"Assalto a bomba de gasolina de São joão";
"Assalto a bomba de gasolina à mão armada";
"Bar assaltado no Poço Barral".

Estes dados referem-se apenas a um dia da semana.
Ninguém vive fechado numa torre de marfim, sabemos que esta é uma realidade que existe em todo o país e em todo o mundo, não é essa a questão. O que pretendo alertar é para o facto de esta pequena criminalidade crescer, sem parar, a cada dia que passa.
Antes, a Madeira era conhecida como um "cantinho no céu", no entanto, hoje, perdeu esse estatuto, hoje, a insegurança e o medo é o sentimento dos madeirenses.
Quanto a mim, entre outras razões, a principal causa desta realidade deve-se à pobreza extrema que já existe espalhada na nossa terra.
E este problema social não será o resultado do modelo de desenvolvimento que se implementou na Região, ao longo destes anos?

terça-feira, 16 de outubro de 2007

17 de Outubro - Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

Em 1992, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o 17 de Outubro como o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
Em Portugal, existem ainda milhões de pessoas que sobrevivem numa situação de grande pobreza. As dificuldades económicas têm agravado, de uma forma quase descontrolada, este problema social junto das famílias portuguesas.
Ouvimos, todos os anos, aos vistosos discursos dos políticos, assiste-se a inúmeros gestos de solidariedade, pontuais e limitados no tempo, não obstante, os sucessivos governos de Portugal e do mundo ainda não foram capazes de combater de um modo corajoso e eficaz as causas produtoras e reprodutoras deste tipo de pobreza extrema e exclusão social.
A erradicação da pobreza acontecerá quando houver uma vontade séria por parte daqueles que decidem os destinos do mundo.
Alguns dirigentes mundiais são capazes de investir milhões de euros no desenvolvimento de armas cada vez mais sofisticadas, mortais e silenciosas, mas não têm a ousadia de distribuir um pouco da sua riqueza nem demonstram sentido humano suficiente para desviar essas verbas das políticas da guerra e aplicá-las em políticas que promovam a erradicação da pobreza.
Olhem com outro sentido de cooperação para as imensas organizações não governamentais (ONG) que têm empreendido um trabalho louvável nesta tarefa enorme de erradicar a pobreza do mundo.
Os diagnósticos estão redigidos, as teorias já estão formuladas. Todos conhecemos o fenómeno da pobreza. Muitos governantes já analisaram casos concretos desse drama, as verdadeiras causas dessa catástrofe humana são conhecidas, as limitações dessa gente tão pobre e com fome já estão mais do que inventariadas.
O problema persistente é que os discursos não têm passado dos púlpitos, o que falta é tão simples, o que tarda é a acção concreta, o que não existe é uma atitude activa de quem tem o poder para alterar esta triste realidade.
Há mais de 800 milhões de pessoas que passam fome no mundo. Em Portugal, segundo as estatísticas, existem cerca de 2 milhões de pobres.
Estes números vêm mostrar que a pobreza extrema não existe apenas em África e na Ásia, pois, mesmo junto de nós, há imensa gente que vai para a cama com fome.


segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Haja pudor!



Alguns alunos começam a chegar às escolas vestidos com camisolas apresentando este tipo de estampagens. Não me contaram, eu vi. Vi numa escola do Funchal de 2.º e 3.º ciclos.
As escolas não são seminários nem conventos, no entanto, uma linguagem imprópria é censurável em qualquer instituição.

E o que está aqui em causa não é uma questão de liberdade do aluno, é uma atitude de educação. Se em qualquer instituição de ensino é proibida toda a linguagem que promova ofensas racistas, étnicas e religiosas, naturalmente que também não podem ser permitidas linguagens obscenas.

A outra face do problema encontra-se dentro da casa destes alunos. Pois, como é que os pais e encarregados de educação permitem aos seus filhos saírem de casa para a escola com este tipo de linguagem? De que é que estão à espera? Será assim tudo normal? Amanhã, o que será que vão trazer escrito nas camisolas?
Depois, acusa-se a escola de não saber educar os jovens e nós, os professores, é que somos os responsáveis pelos comportamentos de falta de educação desses filhos.

Será que estou ultrapassado? Será que eu é que estou errado?

domingo, 14 de outubro de 2007

O eco

Quadro de Edvard Münch, O grito, 1893
Subo as escadas
acumuladas na memória

uma palavra indecifrável
entretece
o eco da minha razão

cerco essa palavra mas não consigo
desenhar o oculto do seu dizer
esforço-me pela última vez
e leio unicamente o anúncio do acidental humano
agarrado ao sem-fim
da vida.

Rui Caetano

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

CORRUPÇÃO!

O PS-Madeira entregou hoje ao Procurador-Geral da República um dossier com informações e documentos sobre indícios de corrupção na Madeira.
Iniciativa louvável, pois os partidos políticos, pela responsabilidade que assumem perante as populações, deverão estar na linha da frente no combate a todos os fenómenos de corrupção.
Tem havido imensas conversas: ouve-se falar nos cafés sobre situações obscuras.
Comenta-se as riquezas apressadas e com pouca justificação de determinadas personagens da sociedade madeirense. Diz-se baixinho que há novos ricos de uma hora a outra que há tão pouco tempo viviam do seu ordenado.
Lê-se, na comunicação social, que certas individualidades, que ocupam cargos de relevo na política e serviços públicos da RAM, adquiriram apartamentos de luxo a preços de saldo, segundo disseram, a metade do preço.
Conversa-se entre os amigos que há políticos a aprovarem leis que vão beneficiar directamente os seus interesses privados.
Existe o caso Funchal Centrum, existe o relatório da auditoria à CMF, existem os casos do Hotel CS e do Hotel Vila Galé, existem as palavras do Vice-Presidente do Governo Regional a afirmar que há "negociatas" na CMF.
O que fez o PS-Madeira? O PS-Madeira não se limitou a falar do assunto, o PS-Madeira não se restringiu às palavras. Juntou documentos, recolheu informações, reuniu testemunhas e entregou tudo ao Procurador-Geral da República. Onde é que está o problema?
A decisão do PS-Madeira em entregar o dossier ao PGR foi uma opção acertada, coerente e com visão política.
Esta iniciativa desencadeou uma série de reacções, de alguns comentários e de certas preocupações incompreensíveis e muito difíceis de justificar..
Ora, se o PGR aceitou receber o Secretário-Geral do PS-M é porque considerou acertado e pertinente o pedido de audiência. Se o PGR recebeu o dossier e esteve em audiência com o Jaime Leandro durante 1 hora e 30 minutos foi porque queria ser informado ou então o Jaime Leandro tinha muitas coisas para dizer.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

10 de Outubro - Dia Europeu contra a Pena de Morte

"A Comissão Europeia adoptou o projecto de uma declaração supra-institucional que estabelece o Dia Europeu contra a Pena de Morte a ser celebrado a 10 de Outubro, todos os anos" (in: Jornal de Notícias).

Quando ouço debaterem a questão da pena de morte, ressalta-me, de imediato, à memória o romance de Victor Hugo O Último Dia de um Condenado que lera no meu primeiro ano da Universidade, na UCP, aconselhado pelo meu excelente professor de Literatura, Dr. Silva Pereira.
Até à leitura desta magnífica obra, defendia, embora com imensas dúvidas, a condenação à pena de morte, mas depois de O Último Dia de um Condenado alterei completamente a minha ideia, extingui as minhas hesitações.
Aprendi com a voz daquele homem condenado à pena capital que este tipo de sentença é cruel, imoral, ineficaz, injusto e não tem qualquer sentido humano.
Alguns excertos:

"Condenado à morte!
Já vão cinco semanas que convivo com tal pensamento, sempre só com ele, sempre petrificado pela sua presença, sempre encurvado sob o seu peso!Outrora, pois me parece que faz anos e não semanas, eu era um homem como outro qualquer. Cada dia, cada hora, cada minuto tinha a sua ideia. O meu espírito, jovem e rico, era repleto de fantasias (...)
Sim, a morte! E, aliás, repetia-me não sei que voz interior, o que arrisco dizendo isso? Nenhuma sentença de morte foi jamais pronunciada em circunstância outra que à meia-noite, sob a luz de tochas, em uma sala escura e negra, numa noite chuvosa e fria de inverno! Mas no mês de agosto, às oito horas da manhã, num dia tão bonito, esses bons jurados, impossível! E os meus olhos voltavam a se fixar na delicada flor amarela banhada de sol (...)
E depois, o que escreverei assim talvez não seja inútil. O diário dos meus sofrimentos, hora a hora, minuto a minuto, suplício a suplício, se eu tiver a força de conduzi-lo até o momento em que será fisicamente impossível continuar, esta história necessariamente inacabada, mas tão completa quanto possível, das minhas sensações, não carregará consigo um grande e profundo ensinamento? (...)
Enquanto escrevia tudo isso, a luz da lamparina empalideceu, o dia chegou, o relógio da capela soou seis horas.O que isso significa? O carcereiro de turno acaba de entrar na minha cela, tirou o seu chapéu, saudou-me, pediu desculpas por me perturbar e perguntou-me, suavizando o quanto pôde a sua rude voz, o que eu desejava almoçar... Um calafrio correu o meu corpo. Vai ser hoje? (...)
Pobrezinha! Teu pai que te amava tanto, teu pai que beijava o teu pescocinho branco e perfumado, que passava sem parar as mãos nos cachos dos teus cabelos como sobre uma seda, que pegava teu lindo rostinho redondo nas mãos, que te balançava nos joelhos e, de noite, unia as tuas duas mãozinhas para rezar a Deus!Quem te fará tudo isso agora? (...)
Ora! Vamos, coragem diante da morte, tomemos esta terrível ideia com as duas mãos e consideremo-la de frente. Perguntemos a ela o que ela é, saibamos o que ela quer connosco, esmiucemo-la por todos os lados, perscrutemos o enigma e olhemos antecipadamente para dentro do túmulo".

Criminalidade na Madeira

Hoje, viver na Madeira já não é sinónimo de segurança, como noutros tempos, a criminalidade na Região aumenta de uma forma preocupante.
É verdade que esta realidade não se restringe à Madeira, no entanto, há alguns anos atrás, a nossa Região era apontada como "um cantinho do céu". Nos nossos dias, esse "cantinho" já não existe. E porquê?
Nos últimos tempos, assistimos impávidos ao crescimento da criminalidade e a variedade de crimes praticados contra os cidadãos atinge números que se encaminham para vectores problemáticos.
O tipo de crimes tem sido dos mais diversos: assaltos a igrejas, a idosos e crianças em plena luz do dia e, por vezes, em praças movimentadas. Roubos por esticão a madeirenses, turistas e a cidadãos que se encontram em multibancos, alguns casos, ameaçados e agredidos pelos assaltantes.
Assaltos a residências particulares, a escolas, a escritórios, estabelecimentos comerciais e a automóveis. Furtos de artigos de construção civil em plenas obras.
Inclusive a criminalidade atinge foros de gravidade extrema quando os criminosos já assaltam entidades bancárias, como já aconteceu há algum tempo atrás.
A par desta situação insustentável, o desrespeito e o aumento do número de agressões físicas à policia vêm demonstrar o falhanço das políticas nesta área.
Faltou visão política para precaver os problemas sociais que hoje assolam imensas famílias madeirenses, resultantes do problema do alcoolismo da droga e do desemprego.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Dirigente sindical - profissão ou vocação?

Os sindicatos não podem continuar a actuar como faziam no passado.
Limitar-se a abrir trincheiras entre trabalhadores e patrões é demasiado rudimentar e nada eficaz. Esta postura reivindicativa esgotou-se.
Com o progresso científico e tecnológico assistiu-se à completa alteração do mundo do trabalho e a um aumento das leis da competitividade. Estas modificações abalaram definitivamente a natureza do emprego, incitando os trabalhadores a uma aprendizagem contínua, por meio de uma educação/formação ao longo de toda a vida.
Alguns sectores sindicais limitam-se a contestar por contestar e não se adaptam a estas novas realidades. Têm de dar passos de mudança.
Esta mudança deverá começar por substituir os rostos que há quase trinta anos têm monopolizado o sindicalismo, enfraquecendo, ano após ano, a sua influência.
São sempre os mesmos. Transformaram a liderança dos sindicatos numa profissão.
A máquina está viciada! Neste momento, entre estas estruturas sindicais, observa-se o marasmo, a falta de ideias, a inércia e adoptam formas de luta que já não mobilizam devido à sua caducidade.

domingo, 7 de outubro de 2007

O futebol e a injustiça dos adeptos

Apesar de não ser maritimista, como apreciador do futebol, hoje, fui ver o jogo do Marítimo com o Vitória de Setúbal. Assisti a um bom desafio de futebol, muito equilibrado, como seria de esperar, pois o Setúbal possui uma excelente equipa.
O que me faz escrever acerca do jogo não tem nada a ver, directamente, com o que se passou dentro do campo, mas comentar o comportamento dos adeptos maritimistas.
Nos jogos anteriores, que também assisti, quando o Marítimo jogava bem e ganhava com relativa facilidade, ouvia os adeptos a aplaudirem os seus jogadores de forma eufórica. O Makukula era cantado à maneira de um herói, o Kanu era acarinhado de uma forma comovente, o Marcos, a cada defesa, recebia uma montanha de aplausos. A cada jogada, passe ou remate do capitão Bruno ouvia gritos de euforia, aplausos por tudo e por nada.
Sentia um forte entusiasmo entre estes adeptos. A alegria era visível, e diziam que o Marítimo jogava como nos velhos tempos, e a continuar desta forma seria invencível.
Quando tudo corre bem é assim, mas à primeira dificuldade, o comportamento dos adeptos é completamente diferente.
Esse problema surgiu hoje contra o Setúbal. O Marítimo não dominava o jogo, os jogadores passavam por grandes dificuldades, o Setúbal teve enormes oportunidades para marcar e, se não fosse a espantosa exibição do Marcos, o Setúbal tinha mesmo vencido.
E os adeptos? Logo na primeira parte já se ouvia ofensas aos jogadores do seu próprio clube. Os heróis de ontem hoje foram tratados como forasteiros, como inimigos, como gente de ninguém. Eu que não sou maritimista, senti um ambiente de injustiça revoltante.
Ao Makukula chamavam "girafa" e "barrote preto" e que "não jogava nada". Uns diziam que era um jogo de "solteiros e casados", outros que "estavam com sono e que não vinham mais aos Barreiros". Outros chamavam "torrão queimado" ao Kanu. Alguns diziam "mexe-te encardido" outros que "os jogadores do marítimo estavam de ressaca", que "não faziam uma jogada que prestasse".
O guarda-redes Marcos, que fizera uma enorme exibição, quando pontapeava a bola, recebia apupos e impropérios que não reproduzo por respeito e porque precisaria de uma bolinha vermelha no canto do ecrã.
É bem possível que estes comportamentos de adeptos sejam normais em todos os estádios de futebol, no entanto, é injusto tratar desta forma uma equipa que até está a jogar bem.
No futebol, as equipas só são reconhecidas quando ganham jogos, não há nada a fazer. É o nosso futebol.

Viagens aéreas mais caras

Parece mentira, mas é mesmo verdade. Viajar da Madeira ao Continente é um luxo reservado apenas a quem vive desafogado financeiramente. Não há outra hipótese.
Cá está o resultado das conclusões do Dia Mundial do Turismo.
Após tantas reuniões, depois de profundos debates, de imensas promessas feitas por governantes e de enormes expectativas criadas aos madeirenses, há tão poucos dias atrás, a TAP, que para mim não é a única responsável, em vez de reduzir os preços das passagens aéreas dos voos entre o Continente e as Ilhas, decide aumentar esse preço.
E os Governantes calam-se! Talvez voltem a falar, durante as comemorações do Dia Mundial do Turismo do próximo ano.

sábado, 6 de outubro de 2007

Leiam por favor. Vale a pena!

A Culpa


Pai, chegou a hora!
Parto pai!
Vou-me embora porque agora é tarde,
tarde para parar!
Tudo começou naquela tarde, em casa de um amigo
pai! Eu estava perdido,
o mundo ruía em frases feitas
pai, e eu nada percebia.
Homens que pregavam a paz
inventando armas mortais,
políticos que se diziam defensores do povo
a quem sugavam o sangue,
pais que faziam filhos com amor
abortos gemendo,
grito abrasador.
Pai! De que amor?
Anos internacionais de tanta coisa
e tudo na mesma,
porquê pai? Porquê?
E tu tão longe!
Nem sei bem o que fiz
mas o mundo, ou melhor, os meus olhos,
agora injectados de sangue,
viram-no diferente, utópico talvez!
À minha volta luzes e som, e ouve pai!
Eu fui capaz de me rir, rir! Ouves pai,
dos meus problemas, de ti, dos outros...
voltei ao ventre da mãe, à paz, longe de tudo, dos velhos que já foram jovens
e que agora dormem sobre jornais, em bancos molhados,
uns falhados pai?
Das mulheres, daquelas dos becos que em troca de uma nota, tu sabes pai!
Se quiseres que te diga, acho que já lá foste, destino?
Pai! Fui de novo menino!
Acredita que eu não queria, mas por muito que me custe dizer-te,
tu me empurraste para o abismo naquele dia pai em que te pedi a chorar que falasses comigo
e tu disseste “mais logo”.
Pai, nesse dia eu voltei e no outro, e no outro,
porque esse teu mais logo nunca chegou.
Agora é tarde para parar.
Pai, sei que vais chorar, farás uma linda campa,
irão montes de amigos, gente importante.
A mulher a dias, pai,
não te esqueças dela! Mas sabes é melhor assim, por mim.
Foi uma dose muito forte, para consegui-la fui ao teu cofre
pai, perdoa-me...
Sinto-me mal, pai!
A minha garganta está a arder e tenho frio,
milhares de agulhas espetam-me o corpo.
Os meu olhos pai, ardem-me tanto os olhos, pai!
Dá-me a mão, segura a minha vida que me escorrega entre os dedos.
Pai, preciso de ti. Pai, quero-te aqui.
Não me deixes partir.
Perdoa-me pai!
Estraguei o teu tapete persa, é sangue pai!
Talvez um bom detergente.
Pai! A minha cabeça!
E o frio, sinto tanto frio.
E agora é tarde, tarde,...!
Pai, tu também foste culpado,
Pai amo-te.
Pai.

(Autor desconhecido)

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Dia Mundial do Professor

Em 1994, a UNESCO consagra o 5 de Outubro Dia Mundial do Professor.

Esta iniciativa teve como principal objectivo alertar os governos de todo o mundo para a importância do nosso trabalho na área do ensino, da educação e da formação integral dos alunos.
Hoje, mais do que nunca, urge repensar o nosso sistema de ensino, nós, os professores, somos os principais interessados numa reforma educativa de futuro, estamos cansados de tantas indefinições e ziguezagues dos sucessivos Ministérios da Educação que, em muitos casos, nos têm desgovernado.
Não receamos a avaliação do nosso desempenho, antes pelo contrário, ansiamos por um sistema de avaliação mais justo e definidor dos méritos de quem se dedica de forma profissional e responsável à causa educativa.
O modelo de avaliação que existia avaliava pouco, contudo, um novo modelo só terá sentido se assentar em critérios de rigor, justiça e objectividade, com parâmetros bem definidos, evitando assim as subjectividades promotoras dos amiguismos e das injustiças.
Somos professores porque nos formámos científica e pedagogicamente, frequentando um estágio profissional, com aulas assistidas por orientadores, mas se existem situações que não cumprem este percurso, a responsabilidade é de quem governa.
Representamos a trave mestra da sociedade, pois somos nós que ensinamos, formamos e, na maioria dos casos, educamos as crianças e os jovens que passam mais tempo na escola com os professores do que em casa com os pais. Até já desempenhamos a função do entretenimento.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Os problemas da deficiência motora

Os cidadãos portadores de deficiência na Madeira atingem, segundo as estatísticas, 5% da nossa população.
Todos conhecemos e temos a plena consciência dos problemas de mobilidade dos cidadãos com deficiência motora. No entanto, é demasiado visível o esquecimento destas dificuldades, quando os responsáveis políticos não mostram a preocupação em exigir e fiscalizar a salvaguarda dos acessos destes cidadãos aos edifícios públicos e privados, a serviços dependentes do Governo ou instituições de carácter privado, nos passeios públicos e a todos os outros locais.
As autarquias têm aqui um papel fulcral nesta matéria, por isso, devem a agir.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Um livro a não perder!

"Não vás. E não fui. Ainda que todo o dia, toda a vida, tivesse esperado aquele instante, único entre todos os instantes, ainda que tivesse imaginado o mundo ao pormenor depois da fronteira pequena daquele instante, não fui. Não vás. Ainda que se tivesse levantado uma cegonha a planar como um abraço que nunca demos, mas que julgámos possível, ainda que todo eu a tenha olhado, ainda que lhe tenha dito espera por mim, hoje vou buscar-te, ainda que o crepúsculo nos tenha visto onde só vão os mais sinceros, entrei neste quarto, e deitei-me nesta cama (...). Não vás. E não fui. Não me perdeste mãe. Perdi-me eu de mim próprio, desencontrei-me de mim onde nunca estive, onde nunca estarei. E não te culpo de nada, como não culpo a lua que nasce todas as noites, o sol, a terra que me puxa. Não te culpo de nada. E agora que sei onde estás, porque sempre te conheci esquecida aí, porque sempre te vi entre as ruínas de um silêncio amordaçado, aí esquecida, entre o que um dia os homens chamaram morte, entre o que um dia os homens chamaram noite e frio; agora que sei onde estás, tenho de levantar-me da cama".

José Luís Peixoto, Nenhum Olhar

Li este livro e simplesmente adorei. Ao lermos esta obra de José Luís Peixoto embrenhamo-nos numa envolvente prosa poética que, por um lado, nos comove e, por outro, nos força a sentir a dor de cada uma das suas personagens em cada esquina do tempo.
Coloco aqui um excerto para que possam sentir a beleza das palavras de Nenhum Olhar.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Os IDOSOS da nossa terra

Ontem, 1 de Outubro, comemorou-se o dia internacional do idoso.
Portugal tem, nos nossos dias, cerca de 2 milhões de pessoas idosas. A par das contingências inerentes ao fenómeno natural do envelhecimento, mormente questões ligadas à saúde e a problemas de mobilidade, esta população recebe, na esmagadora maioria, pensões muito baixas. Por isso, mais do que bonitas palavras, mais do que mensagens de solidariedade, o que esta população idosa precisa são de apoios concretos e reais.

Assim, numa tentativa de minorar os graves problemas desta nossa gente, seria importante que o Governo Regional da Madeira aceitasse as propostas da oposição que defendem a implementação de um complemento nas pensões cujo valor seja inferior ao salário mínimo, tal como já acontece no arquipélago dos Açores, onde o governo é Socialista.

Hoje, a problemática da pessoa idosa deverá constituir uma das matérias prioritárias da sociedade em geral e dos partidos políticos em particular, em suma, os nossos avós exigem uma atenção especial de todos nós.
Falamos de uma cada vez maior parcela da população que necessita de cuidados específicos. Apresentam grandes dificuldades de mobilidade, têm problemas financeiros, necessitam de mais cuidados de saúde, de muito acompanhamento especializado e companhia.
As Câmaras, como estão mais próximas destas realidades e conhecem as situações, deverão também assumir um papel preponderante na ajuda desta população.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Pela PAZ

Madre Teresa de Calcutá (1910-1997) ao receber o prêmio Nobel da Paz disse: "(...)Eu agradeço em nome dos famintos, dos sem casas, dos leprosos, e de todas essas pessoas que se sentem não desejados, pessoas que se tornaram um fardo à sociedade e evitadas por todo o mundo".

"As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.
Ame-as mesmo assim! Se você tem sucesso nas suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.
Tenha sucesso mesmo assim! O bem que você faz será esquecido amanhã.
Faça o bem mesmo assim! A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.
Seja honesto e franco mesmo assim! Aquilo que você levou anos para construir pode ser destruído de um dia para o outro.
Construa mesmo assim! Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns podem atacá-lo se você os ajudar.
Ajude-os mesmo assim! Se você der ao mundo o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar.
Dê o que você tem de melhor. Mesmo assim!"

(Texto afixado sobre o muro de Shishu Bhavan, o lar das crianças da Madre Tereza, em Calcutá)

Posts pela PAZ

"Em 1999, o cineasta britânico Jeremy Gilley iniciou esforços para instituir um dia anual de cessar-fogo global e não violência, depois de se aperceber que não havia qualquer data fixa para a celebração de algo tão universal como a paz.
Dois anos depois as Nações Unidas aprovaram por unanimidade a criação do Dia Internacional da Paz, a assinalar todos os anos a 21 de Setembro.O Mudar o Mundo decidiu associar-se a este evento através da iniciativa Posts pela Paz. Esta consiste em desafiar cada blogger a publicar nesse dia um post sobre o tema. Pode ser uma reflexão ensaística, um poema, uma fotografia, uma música, um vídeo, tudo o que a imaginação e a Internet permitirem, desde que a mensagem transmitida remeta para um ideal de paz.
Deste lado, comprometemo-nos a ser um ponto de partida para essas várias reflexões e, numa parceria com a Biosani, a entregar a instituições que dele necessitem um Pão Moinhos Vivos por cada post que adira à iniciativa.
Assim, além de passarmos a mensagem online, podemos fazer também uma pequena diferença no mundo real. Faça também a diferença e publique um post pela paz!"
Vamos todos lutar por um mundo melhor.