
O primeiro dia de aulas dos cerca de 1650 alunos da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco foi diferente de todos os outros anos. Ontem houve música, teatro e dança como boas-vindas aos estudantes e a mais um ano lectivo.
Para muitos, foi também a primeira vez que pisaram aquela escola. Num canto da escola e entre colegas, Georgina Barros, de 10 anos, acabou de entrar para o 5º ano, directamente de outro estabelecimento de ensino. "Esta escola é muito grande, estou assustada", confessou ao DIÁRIO.
O regresso às aulas ficou marcado pelos reencontros, pelos novos colegas, outros professores e, acima de tudo, pelas actividades a que ontem tiveram direito, nos diferentes turnos da manhã, tarde e noite. Pelas 9 horas, uma dupla de palhaços deu as boas-vindas aos mais novos. Depois veio a música e a animação.
Apesar dos receios, Georgina Barros confessou que já tinha "saudades" do ambiente escolar. No domingo ainda foi ao supermercado com a mãe comprar os últimos três cadernos que estavam em falta. "Eu não consegui dormir", confessou, referindo que o que a acalma é saber que tem alguns colegas da anterior escola na nova turma.
Contudo, o começo não é tão aliciante para todos. "Preferia estar no sofá" foi a resposta de André Dias, de 10 anos, quando questionado se gosta da azáfama do regresso à escola. Embora tenha outras preferências, lá desabafou que, na véspera, andou "com dores de barriga". "Estive muito tempo a preparar as coisas, a pôr etiquetas e o meu nome", explicou.
Para Sara Sousa, aluna já do 10º ano, o espírito é diferente e as expectativas. "Eu quero ter boas notas para ter média para entrar na universidade", disse. Porém, a escola em si não traz saudade. "Da escola, das aulas, não tinha assim muitas saudades, mas dos amigos tinha", afirmou.
O primeiro dia é sempre mais descontraído. Todavia, a partir de hoje, o trabalho começa a sério, como fez questão de sublinhar o presidente do Conselho Executivo da escola, Rui Caetano. "A escola tem de ser uma festa no início, a recepção aos alunos, a forma como chegam à escola, queremos que vejam que é um espaço também de alegria, de diversão", sublinhou, vincando que os estudantes devem investir neles próprios e acreditar nas capacidades. Porém, frisou também que, a partir de hoje, "haverá muito trabalho e muito estudo".
"Implacáveis" quanto aos casos de indisciplina que possam surgir na escola
"Nós vamos condescender em muita coisa, mas quanto à indisciplina, à falta de respeito, à violência e ao 'bullying', nós seremos implacáveis e não vamos dar a mínima chance para que algum aluno possa prevaricar a esse nível". Na abertura oficial do ano lectivo na Gonçalves Zarco, o presidente do Conselho Executivo da escola, Rui Caetano, mostrou firmeza em relação a este assunto e referiu que os grandes objectivos para este ano escolar que agora arranca passam por "combater alguns focos de indisciplina e de intolerância", mas "fundamentalmente", combater o insucesso escolar e promover o desenvolvimento integral dos alunos.
Rui Caetano disse que a escola vai investir em parcerias várias com diversas entidades públicas e privadas, de forma a ajudar o estabelecimento de ensino a desenvolver o projecto educativo.
Presente na sessão de abertura do ano escolar nesta escola esteve o director regional da Educação, Rui Anacleto. Ao DIÁRIO, apontou que o ano lectivo começou com a "normalidade" esperada para os cerca de 52 mil alunos e sete mil docentes.
Em relação à indisciplina, frisou que "tem de haver alguma dissuasão em relação a estes comportamentos" e garantiu que "o estatuto disciplinar aplicado na Região até agora tem se revelado um bom documento legal para dissuadir" comportamentos desadequados.
O director regional da Educação afirmou ainda que não dizem que não há casos do género na Madeira, mas que efectivamente apenas um aluno foi expulso no ano transacto.in
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