domingo, 14 de novembro de 2010

José Tolentino Mendonça - Uma grande viagem começa por um só passo: Um pequeno conforto

A história é esta: uma mulher vai a uma pastelaria de um centro comercial encomendar um bolo para o aniversário do filho. Como qualquer um de nós faria, deixa lá o seu nome e um contacto telefónico. Só que, exactamente na manhã do aniversário, o miúdo é atingido por um automóvel, entra em coma e morre. O pasteleiro não faz ideia do que se passa. Sabe apenas que aquela mulher encomendou um bolo que não veio buscar. Começa a persegui-la nos dias seguintes com chamadas anónimas.
A mulher, por um acaso, descobre que é ele o autor dos telefonemas e, em pleno trauma pela morte do filho, decide ir com o marido ao Centro Comercial dar-lhe uma lição. No primeiro momento do encontro só se vê, de facto, o confronto da ira dela com o ressentimento do pasteleiro. Mas quando Ann diz o que ele não sabe, a fúria descongestiona-se dando lugar a outra coisa.
«- Deixem dizer-lhes a pena que sinto - disse o pasteleiro, pondo os cotovelos em cima da mesa. - Só Deus sabe quanto lamento. Oiçam lá, eu sou apenas um pasteleiro. Não pretendo ser outra coisa…Isso não vai justificar aquilo que fiz, eu sei. Mas sinto profundamente…Têm de compreender que tudo se resume ao facto de eu já não saber como actuar. Por favor, deixem-me perguntar-lhes se posso encontrar perdão nos vossos corações?».
Fazia calor na pequena pastelaria. Ann e o marido tiraram os casacos. O pasteleiro colocou umas chávenas sobre a mesa. Eles sentaram-se. E, muito embora estivessem cansados e angustiados, começaram a ouvir o que aquele homem tinha para dizer.
«-Provavelmente, precisam de comer alguma coisa - disse o pasteleiro. - Espero que comam uns pãezinhos quentes, feitos por mim. Têm de comer e enfrentar a situação. Comer dá um certo conforto, numa ocasião como esta - disse ele».
Continuavam a escutá-lo. Comiam agora devagar um pão escuro e perfumado que o homem lhes abriu, sentiam com surpresa o seu gosto retemperador e delicado. Pela madrugada dentro, deixaram-se ali a conversar. As luzes fluorescentes do estabelecimento foram substituídas pela luz da manhã, que começou a escorrer pelas janelas.
Gosto muito deste conto de Raymond Carver e já o tenho repetido. O que aprecio nele é sobretudo mostrar como as cenas da vida quotidiana, mesmo as mais dramáticas, nos podem abrir aos grandes espaços da experiência interior.
As palavras criam um clima de acolhimento e escuta. O alimento consola, enxuga as lágrimas. Dentro das personagens acontece uma espécie de ressurreição. De facto, quando a gente aceita que mesmo sobre aquilo que nos parece imperdoável há mais do que um ponto de vista, ou quando compreendemos que, em grande parte das situações, mais do que premeditação o que existe é ignorância, então estamos prontos para encontrar perdão nos nossos corações.
Torna-se finalmente claro que o conforto que falta à nossa vida é bem mais pequeno do que supomos.
Basta-nos o conforto de atravessar ao lado de outros a nossa noite e assistir aí, esperançados, à chegada da manhã.
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Mais um belíssimo texto do José Tolentino Mendonça que nos faz reflectir e olhar o mundo de um modo diferente.

DOSSIER EMPREGO - DIÁRIO

Durante uma semana o DIÁRIO procurou escalpelizar o dossier Emprego. Um trabalho que nos levou a contactar os vários figurantes de um cenário que não se mostra nada atraente, nem positivo, em que as queixas são demasiadas e as perspectivas esbarram num pessimismo exagerado a que não está alheia a situação política e económica do País.
Mesmo assim há esperança e há, sobretudo, vontade de mudar este cenário. A esperança é a última a morrer e a sabedoria popular aplica-se bem neste momento.
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LEIAM O DOSSIER EMPREGO NO DIÁRIO DE HOJE AQUI: DIÁRIO
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Excelente trabalho jornalístico do DIÁRIO. Construtivo, abrangente, profundo e com enorme qualidade.

sábado, 13 de novembro de 2010

Em França, Governo demite-se!


GR é irresponsável ao autorizar extracção de inertes na Ribeira Grande

Vereador Rui Caetano pronunciou-se sobre decisão do executivo à revelia da câmara do Funchal.
O vereador do PS na câmara do Funchal acusou hoje o Governo Regional de negligência e irresponsabilidade ao autorizar a extracção de inertes da ribeira de Santo António à revelia do município da capital madeirense.
Rui Caetano falava numa conferência de imprensa junto àquele curso de água nas zonas altas de Santo António, considerando que a extracção de inertes é "mais um exemplo vivo dos erros que continuam a ser cometidos na Madeira do ponto de vista ambiental e do urbanismo".
O autarca salientou que o relatório final sobre os aluviões apresentado esta semana pelo Governo Regional como sendo a "carta magna do que se iria fazer daqui para a frente, declarando tolerância zero" em matéria de construções junto das ribeiras, afinal "apenas serviu para esconder os erros cometidos no passado e o que está a ser feito hoje".
"O que se está a fazer na ribeira de Santo António é um crime que está a ser feito nas costas da câmara do Funchal", disse Rui Caetano.
"Consideramos que é gravíssimo, uma negligência demasiado grave para ser verdade e é preciso assumir as suas responsabilidades", acrescentou.
Para o vereador socialista, o referido relatório "foi apresentado para resolver os problemas, não pode ser enfiado dentro da gaveta e a ser retirado apenas para hastear a bandeira da exigência e rigor na teoria, porque na prática não está a servir rigorosamente para nada".
Rui Caetano sustentou que "está a servir para que se cometam a mesmas ilegalidade de forma mais grave", criticando o Governo Regional por ter autorizado esta "extracção de inertes de forma negligente e irresponsável da ribeira de Santo António, contra a vontade, parecer e argumentos da câmara".

In DIÁRIO



Aung Suu Kyi finalmente às portas da liberdade

Finda período de 18 meses de prisão domiciliária. Principal incógnita reside na forma como irá prosseguir o combate político
A líder da oposição birmanesa e Nobel da Paz em 1991, Aung San Suu Kyi, poderá pisar hoje as ruas de Rangum como pessoa livre, ao expirar a mais recente pena de prisão domiciliária a que foi condenada, em Maio de 2009, pela Junta Militar no poder.
In DN

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sondagem dá sete pontos de vantagem ao PSD sobre o PS

O Partido Socialista voltou a cair nas intenções de voto. O PS perdeu 5,3 pontos em relação ao mês passado, ficando-se agora pelos 30 por cento, seguindo um sentido contrário ao do PSD, que subiu para 36,9 por cento, de acordo com um estudo realizado pela Eurosondagem para a Rádio Renascença, Expresso e SIC.
O mesmo barómetro volta a colocar o CDS-PP como o terceiro maior partido, com uma subida de 1,3 pontos percentuais para os 9,3 por cento nas intenções de voto. O Bloco de Esquerda fica muito próximo do CDS-PP, ao subir 1,4 pontos para os 9,2 por cento. A CDU regista uma subida de 0,4 pontos percentuais para os 8,8 por cento nas intenções de voto.

In PÚBLICO

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Apelo de "tolerância zero" do GR é "esponja" para apagar irresponsabilidade na construção

O vereador do PS na câmara do Funchal, Rui Caetano, considerou que o relatório final de avaliação do risco de aluviões na região apresentado pela Vice-Presidência do Governo Regional parece "uma esponja para apagar" a irresponsabilidade.
O autarca salientou em conferência de imprensa que o relatório está "consistente e fundamentado" como se o executivo madeirense "tivesse descoberto a pólvora", quando durante décadas especialistas alertaram para os riscos graves que estavam a ser cometidos do ponto de vista do urbanismo, ambiente e segurança das pessoas, que foram "desprezados e espezinhados".
O vice-presidente do Governo Regional da Madeira, João Cunha e Silva (PSD), apelou na quarta-feira às autarquias que tenham "tolerância zero" para com o licenciamento de empresas ou fábricas junto de zonas de risco, designadamente nas margens das ribeiras.
"Não conseguimos perceber como o vice presidente vem de uma forma muito directa acusar câmaras por esses licenciamentos", disse, por seu lado, o vereador socialista.
Para Rui Caetano, é necessário "assumir a responsabilidade de todas as construções junto das ribeiras que têm que ter aval do Governo e dos Serviços de Hidráulica".Segundo Rui Caetano, "se foram feitas é porque o Governo deu também parecer favorável".
Dado que a vice presidência também "tem a tutela das câmaras, se diz que foram feitas aquelas ilegalidades todas, se correram aqueles riscos todos, deveria usar o seu poder e intervir para impedir que isso acontecesse".
"Não disse rigorosamente nada e não pode vir como salvador e com um relatório que parece que é uma esponja para apagar tudo o que foi feito de ilegal até agora. Quem vai assumir a responsabilidade do que foi feito até agora?", questionou.
O apelo do governante madeirense foi feito na sessão de apresentação do "Estudo de Avaliação do Risco de Aluviões na Ilha da Madeira", um trabalho conjunto de especialistas do Instituto Superior Técnico, da Universidade da Madeira e do Laboratório Regional de Engenharia Civil.


Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco - Escolas contribuem para o Ambiente

A Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco realizou na manhã de ontem a cerimónia do hastear da bandeira verde (Eco-Escolas). O galardão referente à participação no programa de âmbito nacional no ano lectivo 2009/2010 é a oitava bandeira conseguida consecutivamente por aquela escola do Funchal.
Rui Caetano, presidente do Conselho Executivo do estabelecimento de ensino, referiu que a bandeira ontem hasteada significa "o reconhecimento pelo trabalho de toda a escola (alunos, docentes e funcionários) em termos ambientais e de desenvolvimento sustentável. O responsável agradeceu o empenho de todos e pediu para que continuem a lutar pela protecção do ambiente. "Ganhamos nós, ganha a natureza, ganha o ambiente".
Já o director regional do Ambiente, João Correia, enalteceu o envolvimento daquela escola no programa, principalmente tendo em conta a dimensão e elevado número de alunos, o que dificulta o desenvolvimento do projecto. "É uma escola referência ao nível regional", acrescentou. O director regional exortou ainda os alunos para que seja dada continuidade ao programa Eco-escolas e para que todos continuem a "contribuir para que o Ambiente na Região seja cada vez melhor".
No ano lectivo anterior, 122 escolas da Região candidataram-se ao programa eco-escolas. 101 receberam a bandeira verde.

In DIÁRIO

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Estudo aponta para a eventual necessidade de remover habitações- Áreas de actividade humana com atenção especial

O relatório final do "Estudo de Avaliação do Risco de Aluviões na Ilha da Madeira" será hoje apresentado na Secretaria Regional do Equipamento Social.
Em causa está um estudo científico que reuniu especialistas do Instituto Superior Técnico (IST), da Universidade da Madeira (UMa) e do Laboratório Regional de Engenharia Civil e que incidiu sobre as três grandes ribeiras do Funchal e as ribeiras da Ribeira Brava e Tabua.



In DIÁRIO
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As conclusões deste estudo vêm demonstrar a incompetência, a negligência, os crimes urbanísticos e políticos que foram cometidos ao longos dos anos da governação PSD, na nossa MADEIRA.
Sempre houve técnicos especialistas, professores universitários, associações ambientais, cidadãos comuns e órgãos de comunicação social a alertar para os perigos de determinadas obras junto aos leitos das ribeiras entre outras situações de perigo. Mas o poder regional preferiu adoptar a prepotência e desse modo desprezou e ofendeu quem tinha sentido de responsabilidade e quem se preocupava com a segurança das pessoas e dos seus bens. O resultado está à vista de todos.
E este relatório é a prova mais evidente.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco hasteia Bandeira Verde


Amanhã, pelas 10 horas, na Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, decorrerá a cerimónia do hastear da Bandeira Verde, com a presença do director regional do Ambiente, Galardão Eco-Escolas 2009/10 que aquele estabelecimento de ensino conquistou.
O mesmo é uma forma de reconhecer o trabalho desencadeado pela Escola Gonçalves Zarco na melhoria do seu desempenho ambiental e na sensibilização para a necessidade de adopção de comportamentos sustentáveis.

Este acto simbólico é o reconhecimento do esforço e do trabalho de toda a comunidade escolar, alunos, professores e funcionários, diz o presidente do Conselho Executivo, Rui Caetano.

Jornalista do DIÁRIO agredido pelo presidente do Marítimo

O jornalista do DIÁRIO foi agredido pelo presidente do Marítimo, quando fazia a cobertura jornalística do treino matinal no Complexo Desportivo em Santo António.
Carlos Pereira terá se dirigido a Marco Freitas no momento, em que o jornalista assistia ao treino, na companhia de dois outros colegas de profissão, com um tom agressivo a pedir explicações.
O jornalista foi assistido no Hospital Dr. Nélio Mendonça a escoriações na zona do pescoço.
A Empresa Diário de Notícias e a Direcção do DIÁRIO tomarão posição pública sobre este grave incidente ainda hoje.
Saiba mais desenvolvimentos sobre este assunto, amanhã, na edição impressa do DIÁRIO e nos noticiários da TSF.

In DIÁRIO
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O desespero já resulta em violência e agressões! A Madeira Nova deu nisto!!

Escolas lutam contra a fome

Sete escolas do 1.º ciclo das zonas mais pobres do concelho de Sintra vão passar, já a partir deste mês, a abrir as cantinas ao fim de semana e nas férias para que os alunos possam continuar a ter pelo menos uma refeição quente por dia quando não há aulas.
No final do passado ano letivo, cinco já tinham aberto os refeitórios ao sábado e ao domingo, depois de os professores perceberem, no início de cada semana, que muitas crianças pouco tinham comido desde a sexta-feira anterior. E nas cantinas apareciam famílias inteiras.
"Mais de cem alunos vinham almoçar ao fim de semana. Muitos traziam pela mão os irmãos mais pequenos que ainda nem sequer estavam em idade escolar. E os mais velhos, que já tinham deixado de estudar, também apareciam. Não negávamos almoço a ninguém", recorda Ivone Calado, diretora do Agrupamento de Escolas da Serra das Minas, em Rio de Mouro.
Agora a pobreza agravou-se ainda mais. O número de cantinas abertas todos os dias vai aumentar. E já não chega dar refeições em tempo de aulas. "Não podemos arranjar uma solução para que as crianças almocem ao fim de semana, esquecendo que durante os 15 dias das férias do Natal, por exemplo, muitas ficam quase sem comer. Teremos de abrir aí também", diz o vice-presidente da Câmara, Marco Almeida.
Escolas viram instituições de solidariedade social
Sintra, onde se vive uma das situações mais problemáticas do país
está no entanto longe de ser caso único. Um pouco por todo o país, cada vez mais crianças chegam à escola com fome e é de estômago vazio que tentam aprender. Pouco ou nada comeram de manhã. Pouco ou nada jantaram na noite anterior. Sentam-se irrequietas, estão desconcentradas e algumas queixam-se de dores de barriga.
Há alterações de comportamento associadas à fome que os professores já aprenderam a detetar e que garantem serem mais notórias este ano letivo. Com a crise, os estabelecimentos de ensino desdobram-se em soluções para o problema. As escolas são cada vez mais instituições de solidariedade social.
Em Setúbal, a autarquia pondera igualmente manter algumas cantinas escolares a funcionar fora dos dias de aulas, antecipa a presidente de Câmara, Maria das Dores Meira. "Muitos meninos chegam ávidos à segunda-feira e querem repetir o prato duas ou três vezes. A contar com isso, algumas cantinas já aumentam a quantidade de comida feita nesse dia", conta.
Também na Trofa, onde quase 50% dos alunos são carenciados, ou em Faro, onde o número de refeições gratuitas servidas nas escolas aumentou 15% este ano letivo, por exemplo, as Câmaras estão a estudar medidas.
Crianças encobrem a pobreza
Mas mesmo quando não há apoios extra do município ou do Ministério da Educação, muitos estabelecimentos de ensino fazem tudo para minimizar as carências alimentares de algumas crianças. Na secundária de Pinhal do Rei, na Marinha Grande, a fruta e o pão que sobram dos almoços são distribuídos aos alunos mais pobres.
Já o Agrupamento de Escolas de Sesimbra até providencia o jantar nos casos mais graves. "A família e as crianças têm, muitas vezes, vergonha de pedir ajuda. Tivemos um caso em que teve de ser a vizinha a vir à escola dizer que uma menina não jantava e quase não tomava o pequeno-almoço. A mãe estava de baixa médica há bastante tempo e o pai ficou desempregado. Além do almoço, passámos a dar-lhe um suplemento de manhã, o lanche e a embalar-lhe jantar para levar para casa", conta a diretora, Ana Paula Neto.
Apesar de graves, muitos casos não são fáceis de detetar. "As crianças aprenderam a encobrir a sua pobreza", explica Sandra Santos, assistente social no Agrupamento de Escolas da Damaia (Amadora), onde 60% dos alunos são carenciados. Por vezes, não confessam o problema aos professores, mas pedem ajuda aos amigos da turma. "Notámos, por exemplo, que havia alunos que não comiam o pão do almoço ou a sandes do lanche, mas que os guardavam. Ficámos atentos e percebemos que iam discretamente ao pátio dar o que não comeram a um colega que lhes tinha pedido para poder levar para casa. De alguns desses casos nem sequer tínhamos consciência", diz.
O Conselho Geral do agrupamento reuniu-se esta semana e decidiu fazer um levantamento de todos os casos de fome. No passado ano letivo, havia 20 alunos sinalizados por carências alimentares. Agora são mais, garante a assistente social. Por isso, professores e funcionários da escola estão a montar de raiz um banco alimentar, levando arroz, massa e outros produtos para poderem distribuir pelos alunos.
Mas a pobreza não se manifesta apenas na alimentação. Dois meses após o começo das aulas, há turmas do 3.º ciclo onde metade dos alunos ainda não tem os manuais. O problema é que muitas famílias de classe média deixaram de conseguir assegurar esta despesa, mas não beneficiam da Ação Social Escolar. O subsídio do Estado é dado com base na declaração de rendimentos do ano anterior, o que faz com que acabem por não estar abrangidos casos de pais que em 2009 tinham uma situação económica mais equilibrada, mas que recentemente perderam o emprego.
Manuais só no Natal
Mas mesmo quando os alunos beneficiam dos apoios e têm os os livros comparticipados, os pais têm primeiro de avançar com dinheiro e só depois ir à escola com a fatura para receberem o cheque com a comparticipação. Acontece que muitos não têm o que avançar. Na papelaria do bairro, mesmo em frente à escola de pavilhões brancos imaculados, muitas encomendas de manuais feitas pelos encarregados de educação em junho continuam por levantar. Há pais que prometem ir buscá-los quando receberem o subsídio de Natal. Outros que, no final de cada mês, vão buscar mais um livro para os filhos estudarem.
Na Madeira, acontece o mesmo. Perante as dificuldades, "muitos professores compram o material escolar do seu próprio bolso e oferecem-no aos alunos", conta Rui Caetano, diretor da básica e secundária Gonçalves Zarco, no Funchal. A fome também já se faz sentir. "A situação é dramática. De manhã os miúdos queixam-se de dores de barriga porque se levantaram às sete e só comem às dez, quando distribuímos uma sandes", revela.
Um pouco por todo o país, o cenário não é muito diferente. Há famílias com muito pouco no bolso e crianças com quase nada no estômago. Com os cortes salariais e outras medidas de austeridade a começar em janeiro, o inverno só virá piorar as coisas. E com ele chega o frio, que também pode ser austero. Muitas escolas, transformadas em instituições de solidariedade, já estão a pensar como resolver mais este problema. "Estamos a fazer recolhas de roupa para dar aos alunos. Há dias em que já aparecem encolhidos de frio, só com uma camisolinha e pouco mais", descreve Luís Dias, diretor do Agrupamento Luís António Verney, em Lisboa.

Ação social escolar
506 milalunos são apoiados pelo Estado este ano letivo, mais 18 mil do que em 2009/2010, segundo uma estimativa do Ministério da Educação
€141é o valor da comparticipação do Estado para a compra de manuais escolares no caso dos alunos mais carenciados do 9º ano. No total, os livros para esse ano de escolaridade custam cerca de 200 euros
6,4 milhõesde euros é quanto o Ministério da Educação deve à Câmara Municipal de Sintra por serviços prestados aos alunos, nomeadamente refeições, enriquecimento curricular e prolongamento de horário
In EXPRESSO

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Marcelino Andrade pede ao Governo que não faça um novo hospital mas um bordel

"Com o devido respeito que eu tenho pelas senhoras que me ouvem e pelas minhas colegas, uma das coisas que eu queria pedir era que houvesse serenidade, porque se os médicos começam a vir para a praça pública discutir como estão a discutir, era melhor pedir ao Governo que não faça um hospital mas que faça um bordel.
A gente tem de discutir as coisas é dentro da nossa casa". Foi desta forma que Marcelino Andrade, médico ortopedista e hoje chefe-de-equipa da especialidade no serviço de urgência reagiu à greve decretada naquele serviço hospitalar.
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Como é possível? Mas que linguagem, que prepotência, que abuso de poder, que desprezo que vergonha, comparar o HOSPITAL a um bordel. Este PSD está desesperado e não respeita ninguém.

domingo, 7 de novembro de 2010

José Tolentino Mendonça - Crónica: Sonata de Outono

E o Outono vai-se instalando. A princípio nem parece uma estação. É quase um estado de alma, este tempo assim um pouco vago, em declive delicado, com a chuva ainda rala (mesmo se em alguns dias chega por aí aos tropeções) e o vento que parece um miúdo a aprender a assobiar. Olhamos com íntima estranheza para a brevidade destes primeiros dias, dos quais já não nos lembrávamos. Nas árvores, as folhas tremeluzem, indecisas e iluminadas, transmutadas em incríveis tonalidades. Os frutos têm perfume e sabores densos, tão diferentes daqueles que se saboreiam no verão.

Lembro-me de um poema de Miguel Torga, que gosto de pôr a tocar como uma pequena sonata de Outono:O que é bonito neste mundo e anima,é ver que na vindimade cada sonhofica a cepa a sonhar outra aventura...E que a doçura que se não provase transfiguranuma doçuramuito mais purae muito mais nova

Neste arranque de Outono, deixo-me demorar nas palavras: "a doçura que se não prova". Tendo o privilégio de acompanhar a vida de muitas pessoas, sei que esta não é uma questão que se possa iludir. Há um momento na nossa vida, ou há momentos nela, em que fazendo um balanço, sentimos que ficámos aquém dos nossos próprios sonhos. Há dias e estações da nossa vida em que nos sentimos mendigos de nós mesmos. Esperávamos isto e aquilo que não aconteceu.

Desejávamos uma plenitude, uma fulgurância, um clarão e o que temos é uma estreita e baça normalidade. Sentimo-nos, sem saber bem como, a viver sob tectos baixos. Há uma espécie de doçura prometida que nos escapa, que fica adiada, que começamos talvez a julgar que já não será para nós, tão inacessível nos assoma.
Por vezes, este sentimento vem aos 70 ou aos 40 anos. Mas também surge aos 20 ou aos 30. Recordo aquela frase terrivelmente verdadeira de um romance autobiográfico de Marguerite Duras: «Muito cedo na minha vida foi tarde de mais». Esta difusa melancolia, este sentir que a luz que interiormente nos alumia se tornou fosca e sem alcance são experiências muito alargadas. Por isso se diz que não dependem propriamente da idade os Outonos interiores que atravessamos.

Existem é modos diferentes de encarar essa experiência, que, no fundo, nos é tão intrínseca e comum. Podemos desistir simplesmente de esperar, e largamos a vida no parque de estacionamento do pragmatismo mais raso. Podemos trocar a doçura que não conseguimos, por um tipo de acidez quotidiana, uma desconfiança sistemática a que nada nem ninguém escapam, e que se vai espalhando, entre a ironia e o desalento, contaminando tudo. Ou podemos, e esse é o olhar mais necessário, perceber que «a doçura que se não prova/se transfigura numa doçura/muito mais pura/e muito mais nova».

O Outono não é, portanto, o fim da história. Se o soubermos agarrar, é sim um ponto de partida avançado, que nos permite essa coisa urgente que é a "transfiguração" da vida, através de um paciente e esperançoso trabalho interior.

sábado, 6 de novembro de 2010

A hipocrisia do dr. Alberto João!!

O dr. Alberto João acusou o Estado de ser uma fraude e de ser ladrão. Diz que o Estado é "Um ladrão porque tira as reformas a pessoas que descontaram toda uma vida." Mais um embuste deste senhor!!
Ora, vejam lá este senhor presidente do PSD. Quando o Governo da República aplicou as medidas de terminar com os dois últimos escalões do abono de família, o dr. Alberto aplicou na Madeira sem pestanejar, sem apresentar uma compensação às famílias. Quando o mesmo governo decidiu cortar com os ordenados da função pública, o dr. Alberto apressou-se a dizer que iria aplicar a mesma medida sem compensar os prejudicados.
Quando este mesmo governo aumentou os impostos, lá foi de novo o dr. Jardim ceder sem questionar e aumentou também os impostos.
AGORA, quando decidem acabar com os duplos ordenados, isto é, quem recebe uma reforma mais o ordenado terá de optar por um só vencimento, como esta medida toca no bolso do dr. Jardim e de alguns dos seus acólitos, recusa-se a aceitar. Chama-os de ladrões e afirma que não vai ceder e vai mandar o Estado para o tribunal. HIPOCRISIA!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

JSD-M DESPERDIÇA DINHEIROS COM SEDE DE CAMPANHA!

Um dos candidatos à liderança da JSD-Madeira inaugurou uma sede de campanha!!UMA SEDE DE CAMPANHA PARA UMA CANDIDATURA À JSD???? MAS QUE GENTE POUPADA, MAS QUE BRILHANTES IDEIAS PARA RESOLVER OS PROBLEMAS DOS JOVENS? OS PPDs só sabem esbanjar e desperdiçar!!

Jardim chama “ladrão” ao Estado por não lhe permitir acumular reforma

O presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, acha que o Estado português “é ladrão” porque não permite a acumulação de pensões de aposentação com qualquer tipo de salário no sector público.
A solidariedade e o sentido de justiça social do dr. Jardim existe apenas dentro do seu umbigo e dali não sai. Despreza os madeirenses e todos os portugueses que estão em dificuldade e que nem um ordenado recebem!

INVEJA!!

Estou a reler o livro "As Lições de Gestão dos Clássicos", lições inspiradoras de Alexandre, o grande, Júlio César e de outros grandes líderes da Grécia e da Roma Antigas e, entre outras lições de enorme valia, encontrei uma frase de pormenor, mas significativa: "A inveja consome o invejoso como a ferrugem o ferro."

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Indisciplina vai ser acompanhada

Na escola Gonçalves zarco ninguém será suspenso por indisciplina.
A Escola Gonçalves Zarco encontrou formas alternativas de intervir na área disciplinar.

Embora o estatuto do aluno dite a suspensão como castigo, aquela escola quer intervir de modo construtivo, não aplicando a nenhum aluno a medida de suspensão. Esta, entende Rui Caetano, não resolve o problema da indisciplina, uma vez que apenas deixa os alunos abandonados na rua ou em casa sem nenhum acompanhamento.
É por isso que a medida de suspensão vai ser substituída pela de acompanhamento, que ficará a cargo dos professores e de técnicos especializados.
Rui Caetano, presidente do Conselho Executivo, refere que o projecto 'Experiência Positiva' tem por objectivo específico combater a indisciplina na escola, dentro e fora da sala de aulas, e assume-se como alternativa à medida de mandar os alunos para casa 5 ou 10 dias, como o prevê o Estatuto do Aluno.
"Na nossa escola não vai ninguém para casa como castigo, porque quando isso acontece o aluno fica só e, quando regressa, chega igual ou pior".
Para criar uma alternativa, a Escola Gonçalves Zarco conta com os professores e estabeleceu ainda parcerias com diversas entidades públicas, como o Centro Comunitário da Nazaré, o Centro de Saúde do Bom Jesus, e a Associação Aura, que vão disponibilizar apoio especializado e técnico, através de médicos, enfermeiros, psiquiatras e psicólogos.
Rui Caetano explica que os alunos indisciplinados provêm, na maior parte dos casos, de famílias com problemas sociais de vária ordem. Por isso, é que alguns pais chegam mesmo a pedir ajuda à escola porque não sabem o que fazer para melhorar o comportamento dos filhos.
O presidente do Conselho Executivo salienta que os casos de indisciplina atingem os alunos do 7º e 8º ano, mas aqueles que são mais preocupantes têm origem nos alunos do 2º ciclo, com 10, 11 e 12 anos.

ALTAMENTE: um projecto para combater o abandono escolar
Ontem também foi apresentando o projecto 'Altamente', que tem por objectivo essencial combater o insucesso e o abandono escolar.
É um projecto já com dois anos e com resultados comprovados, que faz o acompanhamento dos alunos através de tutores, que tentam incutir a ideia da importância do estudo.
Paralelamente, é um projecto que visa disponibilizar orientação sobre os melhores métodos para obter bons resultados escolares. Os tutores assumem, assim, um papel de pai e de mãe, que muitas vezes não é desenvolvido em casa pelas mais variadas razões.
Rui Caetano referiu, ainda, que paralelamente aos dois projectos ontem apresentados, na área do insucesso e do abandono escolar, e na área da indisciplina, está em estudo um outro que visa abordar o 'bullying' de forma preventiva.
Explica, a propósito, que até agora não existem casos de 'bullying' na Escola Gonçalves Zarco. Mesmo assim, está a ser preparado um projecto, em parceria com outras entidades e com apoios da União Europeia, que permitirá trabalhar o 'bullying' de uma forma preventiva.

Fenprof prevê desemprego para milhares de professores

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) já fez as contas e avança que cerca de 30 mil horários de professores serão eliminados, caso não haja alterações à proposta de Orçamento do Estado para 2011. "A federação pede esclarecimentos à tutela sobre o impacto das medidas previstas.
De acordo com as “Medidas de Racionalização de Recursos” previstas para a Educação, que se prevê tenham um impacto de 0,4% do PIB (redução de 803 Milhões de euros), o futuro de muitos milhares de professores será o desemprego, apesar de fazerem falta às escolas para que funcionem e ao sistema para que atinja as metas estabelecidas", refere a federação em comunicado.
A situação pode chegar aos professores contratados pelas autarquias para as Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), do 1.º ciclo, uma vez que os municípios terão um corte orçamental de cinco por cento. Só nas AEC há cerca de 15 mil docentes contratados como técnicos, contabiliza a Fenprof.
A Fenprof prevê que com o desaparecimento do currículo das disciplinas não curriculares de Estudo Acompanhado e de Área Projecto possam cair 5400 horários. Outros mil serão os dos professores contratados para substituições de longa duração que as direcções-regionais de Educação não estão a autorizar as suas contratações, de maneira que as escolas são "obrigadas" a recorrer a professores dos apoios educativos.
Quanto à medida de obrigar os professores bibliotecários a leccionarem uma turma, levará à redução de cerca de duas centenas de 200 horários. E a Fenprof continua as suas contas incluindo as perdas com o encerramento das escolas, o reordenamento da rede e a criação dos mega-agrupamentos.
Outras medidas que podem levar à redução de horários é a diminuição do número de horas de assessorias às escolas, redução do número de adjuntos, de situações de mobilidade, da eliminação da bonificação na componente lectiva pelo trabalho nocturno, das horas do Plano Tecnológico, etc.
Tudo isto levará a que sejam precisos menos professores nas escolas."Contas feitas, e sem qualquer exagero na contabilização, serão mais de 30.000 horários que poderão ser eliminados, correspondendo a outros tantos docentes, contratados e não só, e sem ter em conta o que poderá acontecer nas AEC.
Recorda-se que, nas escolas, o número de contratados não atinge os 30.000, aguardando a Fenprof uma informação precisa do Ministério da Educação, que já foi solicitada."Além de pedir esclarecimentos à tutela, a federação qier aomda saber como é que com menos professores se pode garantir a qualidade educativa aos alunos que se mantém na escola para completar uma escolaridade de 12 anos; como é que se vão cumprir as metas de redução do abandono e do insucesso escolar, traçadas pela ministra Isabel Alçada para 2015."Conclui-se, que a actual proposta de Orçamento de Estado, a não ser substancialmente alterada em sede de especialidade, para além da extrema gravidade que representa para quem trabalha – redução salarial, congelamento de carreiras e brutal aumento do desemprego – é uma verdadeira mentira, pois estabelece objectivos que, sabe-se à partida, devido às opções políticas em que assenta e às medidas que as concretizam, são inalcançáveis.
Há, por isso, razões para que os professores e educadores se envolvam nas lutas em curso e, para além delas, aprovem lutas que as continuem", justifica a federação.