domingo, 27 de abril de 2008

Os professores Directores de Turma

Por muito que tentem esconder, a indisciplina nas escolas existe e, em muitos casos, atinge um alto nível de gravidade. Se percorrermos as escolas e conversarmos com os professores, ouviremos um conjunto de histórias inimagináveis. Os relatos, não isolados, falam de professores(as) agredidos fisicamente, espezinhados verbalmente, desrespeitados e intimidados por alunos e pais, até deixam mensagens de ameaças, gravadas nos telefones.
Estas situações, por vezes, gravíssimas, andam longe da Comunicação Social, são desvalorizadas porque ninguém vê ao vivo, em directo, surgem distantes no tempo, permanecem nubladas num lugar desconhecido, como se fossem fruto da imaginação e do exagero.
Mas as consequências recaem sempre no professor. Para cada caso de indisciplina é organizado um processo. Embora não pareça, as escolas cumprem o seu papel, dentro do que a legislação permite. A vítima, e digo sem receio do termo, a vítima é o abnegado Director de Turma. É este professor, que não é jurista nem tem formação nesta área, que prepara e organiza todo processo necessário para cada caso, consumindo dias e dias de trabalho.
Conforme a gravidade, o Director de Turma, além das outras tarefas inerentes ao cargo, contacta o encarregado de educação, relata os factos, faz uma advertência ao aluno, passando, na maioria das vezes, a repreensão registada. Depois destes passos, se o caso for mais grave, há um Processo de Averiguação Sumária.
Ouvem o aluno e as testemunhas, de todas as partes envolvidas, bem como os encarregados de educação. Registam tudo, juntamente com o seu parecer, e depois do processo concluído, reúnem o Conselho de Turma Disciplinar com o propósito de tomarem uma decisão que não resolve nada. Infelizmente, os problemas continuam.
Como nos apercebemos, o Director de Turma assume um serviço que merece ser reconhecido.

8 comentários:

Joana Dalila Santos disse...

Se bem que não se pode generalizar. Deve haver muitos que não se dão a esse trabalho, como em tudo.

Marta Ribeiro disse...

Como en tudo, existem bons e maus profissionais.

beijinho

notyet disse...

Venho agradecer a visita ao meu canto. As visitas e os comentários favoráveis ou não, são sempre bemvindos.
Temos um problema gravoso, demasiado abrangente.
Desde há alguns anos muita gente confunde liberdade com libertinagem
Ouvi há dias alguém dizer que vivemos uma época carregada de informação... sem formação.
Força e paciência!

jawaa disse...

Reconhecer o trabalho de um professor? Sabes o que estás a pedir?
Alguém sabe em que consiste esse trabalho, alguém sabe o que é um Projecto Curricular de Turma sequer? Mais as m... mil que têm para fazer quando têm meninos cujos pais são uns ignorantes?
Para além de terem de ser professores, é claro, dar aulas, não poder faltar (não poder ter filhos!)para poder subir na carreira, etc, etc.
Desculpa o desabafo, aliás eu já nem sou professora...!

herético disse...

Director de Turma? porque não? "director" é que está a dar...

abraços

Auréola Branca disse...

Pois é... Muitos cargos, pouca eficiência...

[A] disse...

O Ensino é basilar em qualquer sociedade, mas talvez o papel dos professores só venha a ser devidadamente reconhecido quando o dito Ensino deixar de ser a o último reduto para os licenciados; ser professor sempre foi, e o ideal é que continue a ser, muito mais do que simplesmente desbobinar matéria na sala de aula... bom seria que as pessoas tivessem a capacidade de se auto-analizar a ponto de perceber se reunem as características humanas fundamentais para essa função-tive professores que foram fundamentais, negativa e positivamente, nas opções académicas e profissionais que tomei.

Bem, é por esta e por outras que me dedico aos trapos; o trauma que um mau trabalho meu possa causar é perfeitamente reversível :)

[juro, que não costumo ser assim tão faladora!]

bell disse...

Para a Joana Dalila Santos: na situação específica que o Rui refere não há como "não de dar ao trabalho". Ao ser-lhe entregue um processo disciplinar o professor torna-se num autêntico jurista, é obrigatório proceder à inquirição das testemunhas, redigir um auto das entrevistas assim como um relatório final em que apresenta as conclusões a que chegou face aos factos apurados e propor, tendo em conta atenuantes e agravantes, a penalização a ser atribuída ao aluno. Após a conclusão do processo, cabe-lhe a tarefa de verificar se o aluno cumpre as deliberações do Conselho de Turma Disciplinar. E há prazos legais curtíssimos para cada uma das fases. Se um professor se negar a elaborar o processo disciplinar... bem, não sei exactamente o que lhe pode suceder, porque nunca aconteceu, mas suponho que será ele próprio alvo de um processo disciplinar.