sábado, 6 de dezembro de 2008

Praxe: Relação do Porto dá razão a aluna sujeita a carregar arreios de um burro e a simular orgasmos

Piaget indemniza caloira. O Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros foi condenado, pelo Tribunal da Relação do Porto, ao pagamento de 38 540 euros a uma antiga caloira que, em 2002, foi sujeita, entre outros actos, a suportar arreios de um burro e a simular orgasmos com um poste e uma planta.
A Relação, em acórdão datado de 24 de Novembro, justifica a indemnização com a atitude "omissa e negligente" do Piaget faça às humilhações de que Ana Sofia Damião, hoje técnica de farmácia, foi alvo enquanto caloira.
Os juízes revelam a sua incompreensão com o facto de o Instituto ter ignorado as queixas de Ana Sofia Damião. Mais do que isso, a então caloira foi alvo de uma repreensão escrita pela forma "subjectiva e excessiva como relatou os factos".
Elisa Santos, advogada da ex-aluna, não escondeu o contentamento por esta decisão. "A Ana está contente com o veredicto. Foi uma luta difícil e desgastante mas nunca lhe passou pela cabeça desistir. Mais do que o dinheiro, a Ana está satisfeita por ter-lhe sido dada razão", disse ao CM a advogada.
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Este exemplo da Ana Damião deverá ser seguido por todos os alunos que se considerarem humilhados nas praxes que não têm sentido nenhum de existir. A Praxe deverá integrar o caloiro e nunca humilhar nem espezinhar a dignidade dos alunos.

4 comentários:

BaBy_BoY_sWiM disse...

Eu não considero que tenha sido humilhado, mas perante esse € que ela recebeu, não me importo nada de fazer o frete! Lolol

Brancamar disse...

Felizmente face a estes casos que se tornaram públicos e que chegaram aos jornais e à barra dos tribunais, nos últimos anos tem-se assistido a uma maior moderação mas o que é facto é que à época da Ana Sofia se atravessou um período em que era frequente aproveitarem-se as praxes para dar azo a atitudes próprias de mentes sádicas e ditadoras.
A praxe não era muitas vezes senão a imposição de uma pseuda supremacia de uns tantos pseudo "doutores" que pretendiam humilhar aqueles que chegavam ao seu mundo, quando deveria ser o contrário ou seja uma recepção amigável capaz de os integrar e motivar.
Gostei do resultado final e que sirva de exemplo.
Um abraço.
Branca

Alexandro Pestana - www.miradouro.pt disse...

Muito satisfeito com isto, É um claro sinal de que algo está a mudar... Eu no meu tempo de universitário fiz um 25 de abril lá dentro à pala dos abusos nas praxes mas como foi pouco, antes de ir embora, deixei-lhes uma prenda do IGCIES/MCTES. Algumas das coisas estão aqui e à pala deste site que já foi lido por muita gente do governo, muita coisa tem mudado neste Portugal: www.forum-ensino.com

Scherzan disse...

Eu creio que é "praxado" quem quer. Tanto quanto me lembro, toda gente é inquirida sobre a vontade de isso acontecer ou não.
A única desvantagem é apenas não poder seguir a tradição académica, mas isso também não traz incoveniente nenhum.