quarta-feira, 4 de junho de 2008

O mercado das editoras

O mercado editorial na Madeira é demasiado limitado. Do ponto de vista dos apoios públicos, infelizmente, as portas estão de tal forma controladas que quem não fizer parte da “elite” cultural cá da praça, demasiado selectiva não pela qualidade, mas pelas amizades, poucas oportunidades terá em publicar um texto inédito.
No que se refere ao sector privado, nos últimos anos, salvo honrosas excepções, a alternativa reside na política empresarial, em prol da valorização e promoção da cultura da Editora O Liberal, liderada pelo dr. Edgar Aguiar. Esta empresa do ramo editorial tem assumido a ousadia de publicar novos talentos, inéditos residentes na Região, sem qualquer garantia de venda que salvaguarde o retorno do investimento. Esta visão empresarial, digna de realce, tem maior valor, quando todos sabemos que cada vez se lê menos em Portugal e se os consagrados têm dificuldade em vender e motivar à leitura, imagine-se os inéditos.
Torna-se justo relevar também a quantidade de publicações lançadas no âmbito das comemorações dos 500 anos da cidade do Funchal. É, na verdade, uma fase mediática, simplesmente conjuntural, que não tem nada a ver com uma estratégia política de divulgação e incentivo ao livro, o que é pena. Não obstante, embora sem continuidade, considero, mesmo assim, positiva esta atitude da autarquia de publicar novas obras literárias e reeditar outras.

Uma editora é uma empresa, por isso, compreendo que tenha dificuldade em investir nesta área sem garantirem alguma viabilidade. O mundo do livro exige muitos encargos. Os custos de impressão são elevados, os meios de divulgação além de escassos são caros e o sector das vendas exige também a sua margem de lucro.

Perante este panorama real, onde o risco é elevadíssimo, a política editorial do LIBERAL, que reserva uma margem da sua facturação para apoiar os novos escritores, impulsionando o livro e a leitura, representa uma atitude de grande valor merecedora de todo o reconhecimento.
Se olharmos para a quantidade de obras publicadas e vendidas por esta Editora, apercebemo-nos de que, neste momento, constitui uma referência inequívoca, no mercado editorial da Região.

8 comentários:

Luís Costa disse...

Colega Rui Caetano
Andei à sua procura pena Net, porque, sem querer, rejeitei o seu comentário no meu blogue. Carreguei no botão errado. Acabei por encontrá-lo no Brasil, no blogue da Regina Coeli.
Espero que me desculpe essa indelicadeza e que volte, pois será muito bem-vindo. Eu também voltarei aqui, para ler tudo com mais calma.
Obrigado

BaBy_BoY_sWiM disse...

Mas a verdade é que deve dar lucro com o Tribuna e com Diário da Cidade...

Ninguém dá nada a ninguém sem receber nada em troca...

Justine disse...

Mais uma informação importante sobre a Madeira. Não conhecia o Liberal, que merece toda a nossa consideração, apoio e incentivo.
Mas a "paisagem" editorial aqui no continente não é diferente da daí, infelizmente...
Um abraço, com flores de jacarandá à mistura :))

Carla disse...

parabéns pela ousadia e inovação ao Liberal
beijos

Joana Dalila Santos disse...

Concordo com a/o Justine

lapa disse...

Com os autores contemporâneos até pode ser uma questão de moda ou mesmo de compadrio. E poderá mesmo produzir efeito contrário, como sucedeu a muitas gerações com "Os Lusíadas" e outras obras clássicas da nossa Literatura. Em Espanha aconteceu o mesmo com o D. Quixote de La Mancha, obra imortal que já perfez quatro séculos de existência...

Duarte disse...

O ideal seria o empreendimento duma boa política de apoio à leitura, com boas propostas, como a edição de livros atractivos e a preços adequáveis. Outra opção a criação de boas bibliotecas bem equipadas. Um dos problemas da Madeira é o extraordinário clima que convida a sair de casa, e a leitura requer relaxação.
Estive quase quarenta anos ligado ao mundo editorial, entre Plaza & Janés e Carroggio; as vivências que tive foram diversas, mas sempre foi a oferta superior à demanda e, como sabes, isso não é bom para o livro.

Duarte disse...

O livro 500 anos do Funchal, é atractivo, não sei como será o conteúdo, mas tem gancho.

Parabéns por esta edição