terça-feira, 14 de abril de 2009

A falta de planeamento ou algo mais?

Ninguém sabe como dar continuidade à obra iniciada há um ano: o rochedo instável complica.
A construção da variante ao centro do Caniço já está no terreno há mais de um ano mas a instabilidade da encosta rochosa na impetuosa margem da ribeira, forçou a paragem dos trabalhos, há um mês.
O Governo Regional (GR) e o construtor estão a agora a "estudar uma alteração do traçado" original da empreitada, adjudicada por 3,848 milhões de euros. A execução de um túnel com 160 metros foi a alternativa encontrada pelo promotor da obra - Construtora do Tâmega - para contornar um problema de ordem técnica, desde cedo apontado pelos canicenses: a instabilidade do rochedo.
Aliás, o sítio onde desemboca a nova variante ao centro do Caniço (que liga a Estrada da Ponta da Oliveira à Rua João Gonçalves Zarco, junto ao 'Village Pub', numa extensão de 1.200 metros) tem um nome suficientemente elucidativo sobre as características geológicas daquela área: Pedra Mole.
O manto rochoso da margem Oeste da Ribeira do Caniço não constituiu entrave em Janeiro de 2008. As obras avançaram a bom ritmo mas apenas no lanço dos primeiros 200 metros. Hoje, além da muralha de sustentação e da aplanagem do pavimento, nem lá falta o muro ornamentado com pedra basáltica.
Assim foi até inícios de Março, quando algumas rochas de considerável dimensão se desprenderam da encosta, caindo sobre a área dos trabalhos, onde pouco mais há além de um rasgo na terra para o futuro traçado. Diz a população que a derrocada aconteceu na sequência das fortes chuvas.
A movimentação de máquinas fez-se de forma condicionada mas depois parou. Desde então, o portão de acesso à obra, junto à Estrada da Ponta da Oliveira está trancado a cadeado. A questão de segurança é a que mais preocupa os moradores do sopé da escarpa. "Antes da obra começar esteve uma senhora a fotografar as casas e os terrenos para memória futura".
José João Góis, um dos herdeiros dos terrenos situados à beira do precipício da Ribeira do Caniço, recorda-se de ver técnicos ou engenheiros a fazer um levantamento fotográfico das casas localizadas na planície acima da cota da futura variante. Desde então, nunca mais ninguém soube de mais nada, nomeadamente se a empreitada vai usar dinamite para abrir um túnel ou se o traçado vai contornar o manto rochoso.
Acontece que o dono da obra - o GR - também não. "Alternativa mais vantajosa "Segundo um porta-voz da Secretaria Regional do Equipamento Social (SRES), a alternativa será "aquela que for mais vantajosa". Em termos económicos ou técnicos? Esta é uma questão que, neste momento, a tutela do GR, não responde, já que tudo está em aberto: "está em estudo uma alteração do traçado".
A proposta inicial que constava no projecto incluía um túnel de 160 metros de comprimento.
Porém, essa alternativa está a ser questionada, atendendo às características geológicas da área e à instabilidade do rochedo. Recorde-se que o preço base do concurso foi de 4,9 milhões de euros, mas a Construtora do Tâmega adjudicou a obra por 3,8 (a que acresce 14% de IVA), um valor, portanto, abaixo, do que foi lançado.
Se for necessário uma intervenção que não estava prevista no orçamento - como desmonte do rochedo - tal deverá representar custos adicionais. A onerosidade da obra e a salvaguarda de bens e pessoas, durante as obras e após a sua conclusão, são aspectos que estão a ser analisados agora.
http://www.dnoticias.pt/Default.aspx?file_id=dn04010201120409

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