sábado, 13 de março de 2010

Professores ameaçados por alunos e pais - "Direcções das escolas nem sempre são solidárias com os professores"


Ameaçados pelos encarregados de educação e pelos alunos, com os carros vandalizados e sem a solidariedade das direcções das escolas, os professores recorrem aos sindicatos para desabafar e pedir ajuda.
A Madeira não foge à realidade nacional e, por cá, há docentes vítimas dos alunos porque os repreenderam ou não deram a nota desejada. "Quando chegam aqui estão tão destroçados que só querem saber o que perdem por meter um atestado".
Marília Azevedo, do Sindicato dos Professores da Madeira (SPM), explica que o atendimento do SPM é, em algumas situações, uma espécie de gabinete de crise. "Antes de mais, os professores querem desabafar, dizer o que lhes aconteceu, queixar-se das ameaças dos alunos ou dos encarregados de educação". Além das ameaças de agressão fora da escola, não é raro o professor repreender um aluno dentro da sala de aula e depois deparar-se com o carro vandalizado.
"Quando chegam ao estacionamento, os professores encontram os vidros partidos, os pneus em baixo e a pintura riscada. Às vezes, nos níveis de ensino mais baixos, são os pais que ameaçam agredir o professor".
Às vezes, a ordem para desligar o telemóvel dentro da sala pode ser motivo para desencadear estes desentendimentos, mas os maiores problemas surgem por causa da avaliação e pela indisciplina dos alunos. A dirigente do SPM não sabe como se resolve esta desautorização dos professores, nem sequer como se pode ajudar.
"A maioria não apresenta queixa e, quando faz, ouve da polícia a resposta que não se pode fazer nada enquanto não se concretizar a ameaça".
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Torna-se necessário repensar o Estatuto do Aluno de modo a que os alunos e os pais assumam, de uma vez por todas, as suas responsabilidades e os professores sejam devidamente respeitados.
A criminalização deste tipo de violência física e psicológica seria um dos caminhos a seguir.
Para que os professores possam desenvolver a sua actividade com mais e melhor profissionalismo e eficiência têm de sentir segurança e protecção por parte dos órgãos de gestão e restantes entidades governativas.

1 comentário:

jj disse...

Não fazia ideia, a experiência lectiva que tenho é no continente, mas não me surpreende. Estes fenómenos estão a tornar-se infelizmente globais.

Há quatro anos que faço investigação, há seis que não dou aulas ao Básico e ao Secundário por opção, mas quando o fiz cheguei a substituir professores em situações-limite. Pensava nisto ontem por causa do suicídio de um colega. Há uma tradição de não-intervenção por parte dos órgãos da escola junto dos alunos. É mais fácil, mais corrente pelo menos, retirar a turma ao colega - os professores jovens agradecem, mas... -, substituir o tempo lectivo do colega com essa turma para horas na Biblioteca - os professores jovens mais uma vez agradecem, mas... - aconselhar o colega a meter baixa, mudar de escola, mudar de profissão - os professores jovens agradecem, mas... um dia os jovens deixam de ser jovens, esses professores há muito que terão deixado de ser professores - e atrevo-me a dizer filhos, pais, amigos, cidadãos activos - os problemas já terão crescido exponencial e irremediavelmente.

Há que repensar o Estatuto do Aluno sim, sem dúvida. Mas eu iria mais longe até: há que redefinir os poderes dos órgãos da escola, a sua articulação com comissões de jovens e o poder judicial, sem esquecer a necessária relação com os pais, mas até a própria pedagogia, não se pode repensar a forma de um problema sem repensar o seu conteúdo, estas teorias vigentes, aluno-cêntricas, geraram efectivamente pequenos ditadores.

Um tema candente da sociedade actual. Para reflexão.